13.3.10

só a casca.

de quanto vazio estamos falando?
1/2 copo? um oceano inteiro?
falo de um vazio que dá eco nas palvras que escrevo.
que interrompe o ruído do tráfego.
um vazio-nuvem-de-chuva a escurecer céu e horizonte.
não, não é um peso, não é uma dor, sequer é um mal.
vazio.
oco.
leve.
absoluto.
vazio.

4.3.10

depois de um looooooonnnngo tempo sem internet, volto à ativa. em breve, novas postagens. e não sei pq não se podia deixar comentários. espero que agora, que mexi em tudo nas configurações, tenha coseguido liberá-los.

25.1.10

só pra garantir

se algum amigo vir isso, me desculpe. só bateu uma meda de fecharem meu blog por w.o.
ainda estou sem internet em casa.
breve.

26.11.09

transportadora gato preto

está na hora de mudar.
os cabelos, as roupas, as fugas.
e, ao mesmo tempo, de voltar.
às palavras, às madrugadas, às justas.

vou empacontando as coisas, enquanto meu novo lugar não se apronta.
ainda não é hora de remexer nos velhos baús.
em breve, em novo endereço.

19.9.09

sempre ela

de manhã, é ela quem escova os dentese penteia os cabelos, enquanto eu me escondo entre as cobertas. é ela quem toma café, almoça e janta, com todas as proteinas, vitaminas e carboidratos, cuidando do meu corpo, enquanto eu acendo um cigarro atrás do outro. é ela quem vai pro trabalho, cria, produz e sorri, enquanto eu navego entre a internet e minhas ausências. é ela quem cuida da minha filha, ri e brinca, enquanto eu assisto 'entre lençois'. à noite, quando ela dorme, cansada, vou pra sacada compor versos pra ninguém. mas nunca esqueço de cobri-la e lhe dar um beijo. de espantar fantasmas e mosquitos. e me pergunto até quando ela vai me suportar.

2.9.09

de poucas palavras

eu te amo.
eu te odeio.
adeus.
oi!
esquece.
não era você.
eu vi.
é verdade.
é mentira.

não são necessárias muitas palavras pra mudar uma vida. apenas que sejam as certas. e, talvez, esta seja a parte difícil.

27.7.09

eu, aqui, de novo.

na beira do abismo não há mais perdas. você se joga . a paisagem passa rápido. perde-se a noção da profundidade, as distâncias não fazem mais sentido. isso é a vida em plena vibração. já não se sabe. por instinto, batemos as asas. em algum momento, tudo vai se definir. mas agora, com licença - preciso decidir urgentemente se estou voando ou caindo.

20.6.09

jasmins demais.

em torno do vazio, construí o meu castelo.
bem no meio dele, ergui minhas muralhas.
achei que assim estaria protegida
de toda dor.
o vazio riu da minha ingenuidade...
foi-me entrando pelos poros,
viajando em minhas células.
o vazio também fez
em mim sua morada.
mas em algum lugar,
de alguma maneira,
sem que eu sequer quisesse
ou percebesse,
brotou um pé de jasmim.
(se você não sabe, o vazio não gosta de raízes,
nem de flores e muito menos
de perfumes.)
os galhos desta planta maravilhosa
foram rompendo as barreiras
como quem derruba paredes.
espalharam-se em toda a extensão
das minhas defesas ilusórias
fizeram entrar o sol,
permitiram chuvas e tempestades.
agora, descanso sentimentos
colhendo jasmins.
o vazio se recolhe
e meu castelo foi ao chão.
estou exposta ao que se avizinha,
ao que o vento traz.
meu pé de jasmim sorri.
“a vida, não tem defesas, meu bem...
o que nos une é o que nos falta.”

24.5.09

autoimagem

tem uma pessoa que vive me enchendo de elogios. que eu sou fantárdiga, maravilhosa, especial etc.
e eu passo o tempo todo tentando convencer esta pessoa de que isso não é verdade. do quanto sou incompetente, desastrada, esquecida; mencionando minhas celulites - as físicas e as mentais -, com a insistência de quem tem a certeza do mundo.

tá bom, se eu fosse tudo que este ser iluminado me diz, eu seria mesmo tudo de bom. a última bolacha do pacote. o gás da coca-cola. a pururuca da leitoa. não bato esse bolão. mas também não sou a adcdcdb (ameba do cocô do cavalo do bandido).

por que insisto em me mostrar só no lado arranhando do espelho? por enquanto só hipóteses... a resposta mais provável é um grande medo de decepcionar esta pessoa que me enxerga assim, de um jeito tão especial.

e coloco esta história tão particular aqui porque acho o tema pertinente. vejo amigas fazendo o mesmo (disse amigas - homem não faz isso). mulheres de qualidade rara se menosprezando aqui e ali.

da próxima vez que alguém me disser que eu sou isso de bom e aquilo de melhor, vou tentar lembrar que tenho qualidades verdadeiras. e que errar não é trágico, mesmo que desaponte. parece simples. parece. e por isso mesmo não precisa da minha ajuda pra ser complicado.

então, pessoa-que-me-elogia, só tenho uma coisa pra lhe dizer: muito grata. que bom que vc consegue ver aquilo que ainda tenho tanta dificuldade pra enxergar.

12.5.09

o mínimo necessário

nada mais do que isso:
um vento vai mexer a folhagem,
ou uma porta vai se abrir e fechar.
e eles saberão.
o que será,
já é.
poucas palavras.
gestos comedidos.
um riso monalísico,
um ar europeu.
tons pastéis,
pele matizada,
essência de lavanda.
por trás desta fachada,
babilônia se diverte.

2.5.09

sísifo


quando as emoções se ajuntam
em pilhas altas, maiores que eu,
tento rearranjá-las em poemas,
palavras que lhes dêem uma dimensão mais real.

quando as emoções gritam dissonantes
tento lhes dar algum ritmo
ainda que seja o das linhas
que se quebram num texto menos confuso.

nem sempre, no entanto,
isso chega
a mudar a dor que provocam
ou a grandeza e imensidão
que lhes são próprias e não me cabem.

talvez aí me sinta mais poeta,
discplicente embora nas minhas rimas pobres
ou na total ausência de coerência e forma.

esse texto é a prova final,
de que por mais que eu tente,
quando as emoções são tantas,
elas dominam o que tenho de mais lógico,
e me deixam exausta como um operário de obra,
a erguer paredes e fundações
que não se sustentam.

talvez neste momento,
o único a me entender verdaderiamente fosse
uma figura mitológica,
empenhado em empurrar ladeira acima,
a pedra que sempre volta
sem jamais chegar ao topo
de qualquer mínima verdade.





Diz a lenda que Sísifo era filho do rei Glauco de Corinto. Sísifo desafiou os deuses espalhando os seus segredos. O castigo imposto pelos deuses a Sísifo foi o seguinte: Sísifo teria que carregar uma pedra enorme até ao topo de uma montanha, no entanto, sempre que estava quase a chegar ao seu objectivo a pedra voltava sempre a rolar pela encosta abaixo, o que o obrigava a fazer tudo outra vez, por toda a eternidade.

21.4.09

não sou mais quem eu sabia:
sou outra, tão menos apropriada...
tão menos arrredia,
tão mais espevitada.

esta é menos que podia,
esta é tão desligada.
falta-lhe a memória dos dias,
falta-lhe o senso de outrora
falta-lhe o sentido das horas,
sobram-lhe medidas vazias.

a que eu era, era tão mais vívida,
todos lhe admiravam a pose;
esta outra é só vida
é não há o que não goze.
triste, mais realista, mais quieta;
mais alegre, mais disposta, menos reta.

o que eu era já não cabe
nesta via.
sou uma outra,
ou uma mesma
que eu não conhecia.

9.4.09

caiu a ficha?


esse deve ser o livro do ano. mulheres, assim que alfabetizadas, deviam lê-lo. decorar, mesmo. comer com farinha, passar no rosto...
pendurar na parede, página a página. pra esse caso não existe mulher inteligente. é tudo alice pollyana (desconfio que até a leila diniz...). blargh!

agarrei-me à máscara, como se dela dependesse a vida. se ninguém vê meu rosto, meus sentimentos, é como se eles não existissem no mundo real. claro que sei: é por pouco tempo. mas todos têm seu necessário alívio, ainda que temporário. saber que ninguém vê meus olhos é tranquilizador. esta burca me defende da pena e da raiva; do vazio e do medo;de algumas possibilidades de amanhã.
a máscara me cai bem. com ela todo dia é de sol, toda manhã é sábado, toda dor é vácuo.

28.3.09

coisas que a gente faz

existe um peso que a gente não conta
só levanta a cabeça bem alto
e continua andando
sem se curvar.

a gente aguenta e pisa firme
mantém a face serena
e as mãos bem fechadas
pra nada deixar escapar.

o medo a gente disfarça em música,
a fome a gente mata no trabalho,
e a ânsia a gente guarda pra depois -
quando fechar a porta, apagar a luz
e tampar a cabeça
com o cobertor da escuridão.

23.3.09

um dia ainda vou ser santa.

o caminho do meio... ora o caminho do meio. ele não passa lá nem cá. contempla-se de longe o rio e a floresta, sem o frescor da água, nem o alívio da sombra. o caminho do meio é para os santos, os que já não desejam. e eu só quero tudo. muito. intenso, imenso e imersa. quero todos os sentidos em alta, troco a latencia pela ardencia e a beatitude pela completude. um dia, talvez eu atinja o equilíbrio. no momento, minha única segurança é a corda que mal me sustenta. e ainda assim acredito: no lugar da queda, voo.

22.3.09

história

eu não tinha idéia da minha arrogância. tampouco da profundidade de minha ignorância a respeito dos meus próprios sentimentos. assim me envolvi na alegre inconseqüência dos que pouco sabem, e pulam e saltam poças como se nada lhes fora ser cobrado um dia. confundi leveza com o que era insapiência, despojamento com o que era uma absurda fuga dos meus princípios. tudo chega a seu termo e lá habitam os resultados. num segundo desci da torre ao calabouço. e, por vezes, no silêncio que se segue à tempestade, ainda ouço o som de um grito que mal reconheço meu . o tombo foi perfeito em trajetória e altura. ilusões quebradas, véus rasgados... e um frio endurecendo as emoções. mas como nada é sem remédio, dei a mão à criança que, devagar, me levou acima, degrau a degrau. longa a subida, profundo o desapontamento. saí. ando ainda um pouco trôpega, já que a falta da ilusão me faz perder às vezes o rumo certo. a luz da consciência me ofusca, sem a doce proteção de maya. mas caminho e sei para onde vou. paro de tempos em tempos para reorganizar os planos, agora bem mais simples. confesso trazer ainda na mochila algumas lembranças. tenho esperança de que, em algum ponto da estrada, terei a coragem de enterrá-las. talvez não. não fará tanto mal levá-las até um pouco mais além. nesse momento a criança me chama. coloco-a em meu colo, a pequena cabeça acomodada na curva do meu pescoço. isso também é felicidade.

21.3.09

por um sol que não queime

a quem você trairia para obter o que deseja?
a quem você mentiria para chegar onde almeja?
que pequena morte você corteja,
ao persisitir em tamanha cegueira?
nem tudo nos vem de bandeja,
mesa posta, de delícias farta.
por vezes, a pão e água se conquistam
maiores certezas que ilusões tão falhas.

minha cota de malha é leve
para artilharia tão pesada.
recuo para trás das torres
erguida por pedras atiradas.
menos por medo que por estratégia,
nem por pudor ou por alma rígida,
mas porque a dor que se vê tão nítida
não será minha, mas de quem não se protege.

o que ofereço (te parece pouco?)
é um rosto limpo e uma manhã sem mácula.
um lago límpido, numa floresta clara,
onde o reflexo deste sol tão raro
encha de luz o que é a mim tão caro.