30.12.10

cai o pano

não saia agora, nem vire o rosto.
aqui se faz, aqui se vive
cada cena, do prólogo ao epílogo.
nem pense em ir embora
antes que caia a cortina dos sonhos.
é preciso descer correndo do palco,
a tempo de aplaudir os nossos atos.
e recolher as flores e agradecer cada grito de "bravo!"
e só quando se apagarem as luzes,
fugir correndo ao camarim,
onde nos esperam os cremes para retirar as
máscaras,
junto às roupas  da vida real.
hora de varrer, então, o chão da platéia,
os camarotes, recolher o que foi esquecido,
devolver o que foi perdido.
agora a rua nos espera.
agora você já pode ir.

27.12.10

this one is for you

pra mim, esta é uma época de agradecer.
como este blog só é visto pelas pessoas que são especiais pra mim, então coloco uma canção que também é muito linda pra dizer a vocês quanto eu sou grata por vocês estarem aqui (no blog e na minha vida).
feliz ano novo, amores!
primeiro a letra, depois a música na versão que mais gosto.

your song
Moulin Rouge
Composição: Elton Jonh

my gift is my song
and this one's for you
and you can tell everybody
that this is your song
it maybe quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

i sat on the roof
and I kicked off the moss
well some of these verses
well they've got me quite cross

but the sun's been kind
while I wrote this song
it's for people like you that
keep it turned on

so excuse me forgetting
sut these things I do
you see I've forgotten
if they're green or they're blue

anyway, the thing is
what I really mean
you got the sweetest eyes
i've ever seen
and you can tell everybody
that this your song
it may be quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

ihope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world


http://www.youtube.com/watch?v=s_d3cS8zRbY

14.10.10

tic-tac

sempre achei que tinha tempo.
hoje é o tempo quem me tem
se ele corre, ofego com ele
e ficamos os dois parados na chuva , olhando as pessoas.
nos debruçamos em sincronia nas janelas
vasculhando o dentro e o fora
com a mesma irreverente sofreguidão.
somos parceiros nos assaltos às horas,
adversários  em jogos de paintball
(o tempo insiste em usar diferentes cores,
o que me faz nunca saber
quem é na verdade o inimigo).
tudo que quero é que ele
nunca ande mais depressa do que posso.
que me acompanhe o ritmo de passos
elásticos agora (ainda),
talvez pequenos e hesitantes logo um dia.
o tempo é também meu melhor amante.
aquele que não desistirá de mim.

10.8.10

quase lá

entraram correndo, palavras adentro,
como um bando de crianças malcriadas
trocaram tudo de lugar,
bagunçaram armaduras,
jogaram livros e espadas no chão.
foi um tumulto louco,
por pouco
não entro a correr também.
fui salva por uma ponta de bom-senso,
vestida de tubarão azul, que me trincou nos dentes
e levou ao mar,
deixando no chão
um fino rastro de riso infantil.

4.4.10

mrs smith

o calor da forja deixa meu rosto brilhante de suor.
cada martelada arranca fagulhas fátuas do metal.
o que estarei tão laboriosamente moldando?
a espada da libertação...
um novo grilhão...

concentrada, continuo a faina.
e a noite lá fora não me conta segredos
nem me traz repostas.
apenas permite que a escuridão e o silêncio
acolham amorosamente o meu mourejar.

13.3.10

carvão

ana carolina

surgiu como um clarão
um raio me cortando a escuridão
e veio me puxando pela mão
por onde não imaginei seguir
me fez sentir tão bem, como ninguém
e eu fui me enganando sem sentir
e fui abrindo portas sem sair
sonhando às cegas, sem dormir
não sei quem é você

o amor em seu carvão
foi me queimando em brasa no colchão
e me partiu em tantas pelo chão
me colocou diante de um leão
o amor me consumiu,
depois sumiu
e eu até perguntei, mas ninguém viu
e fui fechando o rosto sem sentir
e mesmo atenta, sem me distrair
não sei quem é você

no espelho da ilusão
se retocou pra outra traição
tentou abrir as flores do perdão
mas bati minha raiva no portão
e não mais me procure sem razão
me deixe aqui e solta a minha mão
e fui flechando o tempo, sem chover
fui fechando os meus olhos, pra esquecer
quem é você?

http://www.youtube.com/watch?v=2WhVHQ6GHVA&feature=fvst

só a casca.

de quanto vazio estamos falando?
1/2 copo? um oceano inteiro?
falo de um vazio que dá eco nas palvras que escrevo.
que interrompe o ruído do tráfego.
um vazio-nuvem-de-chuva a escurecer céu e horizonte.
não, não é um peso, não é uma dor, sequer é um mal.
vazio.
oco.
leve.
absoluto.
vazio.

4.3.10

depois de um looooooonnnngo tempo sem internet, volto à ativa. em breve, novas postagens. e não sei pq não se podia deixar comentários. espero que agora, que mexi em tudo nas configurações, tenha coseguido liberá-los.

25.1.10

só pra garantir

se algum amigo vir isso, me desculpe. só bateu uma meda de fecharem meu blog por w.o.
ainda estou sem internet em casa.
breve.

26.11.09

transportadora gato preto

está na hora de mudar.
os cabelos, as roupas, as fugas.
e, ao mesmo tempo, de voltar.
às palavras, às madrugadas, às justas.

vou empacontando as coisas, enquanto meu novo lugar não se apronta.
ainda não é hora de remexer nos velhos baús.
em breve, em novo endereço.

19.9.09

sempre ela

de manhã, é ela quem escova os dentese penteia os cabelos, enquanto eu me escondo entre as cobertas. é ela quem toma café, almoça e janta, com todas as proteinas, vitaminas e carboidratos, cuidando do meu corpo, enquanto eu acendo um cigarro atrás do outro. é ela quem vai pro trabalho, cria, produz e sorri, enquanto eu navego entre a internet e minhas ausências. é ela quem cuida da minha filha, ri e brinca, enquanto eu assisto 'entre lençois'. à noite, quando ela dorme, cansada, vou pra sacada compor versos pra ninguém. mas nunca esqueço de cobri-la e lhe dar um beijo. de espantar fantasmas e mosquitos. e me pergunto até quando ela vai me suportar.

2.9.09

de poucas palavras

eu te amo.
eu te odeio.
adeus.
oi!
esquece.
não era você.
eu vi.
é verdade.
é mentira.

não são necessárias muitas palavras pra mudar uma vida. apenas que sejam as certas. e, talvez, esta seja a parte difícil.

27.7.09

eu, aqui, de novo.

na beira do abismo não há mais perdas. você se joga . a paisagem passa rápido. perde-se a noção da profundidade, as distâncias não fazem mais sentido. isso é a vida em plena vibração. já não se sabe. por instinto, batemos as asas. em algum momento, tudo vai se definir. mas agora, com licença - preciso decidir urgentemente se estou voando ou caindo.

20.6.09

jasmins demais.

em torno do vazio, construí o meu castelo.
bem no meio dele, ergui minhas muralhas.
achei que assim estaria protegida
de toda dor.
o vazio riu da minha ingenuidade...
foi-me entrando pelos poros,
viajando em minhas células.
o vazio também fez
em mim sua morada.
mas em algum lugar,
de alguma maneira,
sem que eu sequer quisesse
ou percebesse,
brotou um pé de jasmim.
(se você não sabe, o vazio não gosta de raízes,
nem de flores e muito menos
de perfumes.)
os galhos desta planta maravilhosa
foram rompendo as barreiras
como quem derruba paredes.
espalharam-se em toda a extensão
das minhas defesas ilusórias
fizeram entrar o sol,
permitiram chuvas e tempestades.
agora, descanso sentimentos
colhendo jasmins.
o vazio se recolhe
e meu castelo foi ao chão.
estou exposta ao que se avizinha,
ao que o vento traz.
meu pé de jasmim sorri.
“a vida, não tem defesas, meu bem...
o que nos une é o que nos falta.”

24.5.09

autoimagem

tem uma pessoa que vive me enchendo de elogios. que eu sou fantárdiga, maravilhosa, especial etc.
e eu passo o tempo todo tentando convencer esta pessoa de que isso não é verdade. do quanto sou incompetente, desastrada, esquecida; mencionando minhas celulites - as físicas e as mentais -, com a insistência de quem tem a certeza do mundo.

tá bom, se eu fosse tudo que este ser iluminado me diz, eu seria mesmo tudo de bom. a última bolacha do pacote. o gás da coca-cola. a pururuca da leitoa. não bato esse bolão. mas também não sou a adcdcdb (ameba do cocô do cavalo do bandido).

por que insisto em me mostrar só no lado arranhando do espelho? por enquanto só hipóteses... a resposta mais provável é um grande medo de decepcionar esta pessoa que me enxerga assim, de um jeito tão especial.

e coloco esta história tão particular aqui porque acho o tema pertinente. vejo amigas fazendo o mesmo (disse amigas - homem não faz isso). mulheres de qualidade rara se menosprezando aqui e ali.

da próxima vez que alguém me disser que eu sou isso de bom e aquilo de melhor, vou tentar lembrar que tenho qualidades verdadeiras. e que errar não é trágico, mesmo que desaponte. parece simples. parece. e por isso mesmo não precisa da minha ajuda pra ser complicado.

então, pessoa-que-me-elogia, só tenho uma coisa pra lhe dizer: muito grata. que bom que vc consegue ver aquilo que ainda tenho tanta dificuldade pra enxergar.

12.5.09

o mínimo necessário

nada mais do que isso:
um vento vai mexer a folhagem,
ou uma porta vai se abrir e fechar.
e eles saberão.
o que será,
já é.
poucas palavras.
gestos comedidos.
um riso monalísico,
um ar europeu.
tons pastéis,
pele matizada,
essência de lavanda.
por trás desta fachada,
babilônia se diverte.

2.5.09

sísifo


quando as emoções se ajuntam
em pilhas altas, maiores que eu,
tento rearranjá-las em poemas,
palavras que lhes dêem uma dimensão mais real.

quando as emoções gritam dissonantes
tento lhes dar algum ritmo
ainda que seja o das linhas
que se quebram num texto menos confuso.

nem sempre, no entanto,
isso chega
a mudar a dor que provocam
ou a grandeza e imensidão
que lhes são próprias e não me cabem.

talvez aí me sinta mais poeta,
discplicente embora nas minhas rimas pobres
ou na total ausência de coerência e forma.

esse texto é a prova final,
de que por mais que eu tente,
quando as emoções são tantas,
elas dominam o que tenho de mais lógico,
e me deixam exausta como um operário de obra,
a erguer paredes e fundações
que não se sustentam.

talvez neste momento,
o único a me entender verdaderiamente fosse
uma figura mitológica,
empenhado em empurrar ladeira acima,
a pedra que sempre volta
sem jamais chegar ao topo
de qualquer mínima verdade.





Diz a lenda que Sísifo era filho do rei Glauco de Corinto. Sísifo desafiou os deuses espalhando os seus segredos. O castigo imposto pelos deuses a Sísifo foi o seguinte: Sísifo teria que carregar uma pedra enorme até ao topo de uma montanha, no entanto, sempre que estava quase a chegar ao seu objectivo a pedra voltava sempre a rolar pela encosta abaixo, o que o obrigava a fazer tudo outra vez, por toda a eternidade.

21.4.09

não sou mais quem eu sabia:
sou outra, tão menos apropriada...
tão menos arrredia,
tão mais espevitada.

esta é menos que podia,
esta é tão desligada.
falta-lhe a memória dos dias,
falta-lhe o senso de outrora
falta-lhe o sentido das horas,
sobram-lhe medidas vazias.

a que eu era, era tão mais vívida,
todos lhe admiravam a pose;
esta outra é só vida
é não há o que não goze.
triste, mais realista, mais quieta;
mais alegre, mais disposta, menos reta.

o que eu era já não cabe
nesta via.
sou uma outra,
ou uma mesma
que eu não conhecia.

9.4.09

caiu a ficha?


esse deve ser o livro do ano. mulheres, assim que alfabetizadas, deviam lê-lo. decorar, mesmo. comer com farinha, passar no rosto...
pendurar na parede, página a página. pra esse caso não existe mulher inteligente. é tudo alice pollyana (desconfio que até a leila diniz...). blargh!