4.8.11

o que fazem nossas desculpas

eram tantas e tão diversas,
todas querendo sair ao mesmo tempo,
desordenadas.
e as quietas, caladas, ao fundo,
me olhavam implorando: liberta-nos!
na fuga da cidadela,
nas estradas cheias de refugiados de guerra,
minha confusão era apenas mais uma.
e fui deixando que os tanques de silêncio
dominassem a paisagem,
que as trincheiras se erguessem cada vez mais fundas e altas.
vejo agora a paisagem desolada
construída com as desculpas dos dias.
e ainda toca-me fundo
o olhar daquelas palavras.

2.8.11

Não ando perdida, mas desencontrada.
(Cecília Meireles)

10.6.11

talvez seja sem sentido,
talvez  não seja politicamente correto.
mas a face que no espelho me
escarnece:
velha!
é a mesma que me grita: cresce!

15.5.11

e pronto.

foi pressa, foi festa, foi fácil....
e eu que achava conhecer tudo,
descobri:
é muito mais.

24.2.11

prece madura

pai, agora que não estou mais no tempo de alimentar ilusões,
aguça meus sentidos para que eu perceba a beleza das realidades.


pai, agora que as opções foram feitas e tantas portas se
fecharam no definitivo, dá-me aceitação para que as renúncias não
sejam um fardo pesado demais.


pai, agora que a soma dos erros derrubou as jovens ilusões
de onipotência, não me tire as pretensões de continuar tentando
acertar.


pai,  agora que tantos desenganos, tantas incompreensões
repetiram lições de ceticismo, conserva minha boa fé e minha
disponibilidade frente às criaturas.


pai,  agora que as forças do meu corpo começaram a falhar,
alerta o meu espírito; livra-me do comodismo, redobra minha vontade.


pai, agora que já aprendi a precariedade de todas as coisas,
as limitações de todas as lutas, as proporções de nossa pequenez,
afasta-me do desânimo.


pai,  agora que já alcancei o ponto de perspectiva que me exalta a
visão do pouco que sei, livra-me da defesa fácil de colocar viseiras
e ajuda-me a envelhecer com a abertura dos corajosos,
dos que suportam provações até a hora da morte.


pai,  agora que aumenta o círculo das criaturas que me olham
e esperam alguma coisa de mim, dá-me um pouco de sabedoria,
ensina-me a palavra certa, inspira-me o gesto exato,
norteia minha atitude.


pai,  agora que perdi a abençoada cegueira da juventude
e só amar de olhos abertos, redobra minha compreensão,
ajuda-me a superar as mágoas, protege-me da amargura.


deus pai, , concede-me a graça de não cair na desilusão, de não
chorar o passado, de continuar disponível, de não perder o ânimo,
de não envelhecer jovem, de chegar à morte com reservas de amor.


(autoria desconhecida)

há tempos, uma querida me enviou esta prece. achei linda na época. mas agora faz  mais sentido. o fruto só cai quando maduro, não é?

17.1.11

coisa mais feia!

que menina mal-comportada,
desatando a correr nesse quintal!
pára, menina, sossega,
não vê que o chão é de cristal?

30.12.10

cai o pano

não saia agora, nem vire o rosto.
aqui se faz, aqui se vive
cada cena, do prólogo ao epílogo.
nem pense em ir embora
antes que caia a cortina dos sonhos.
é preciso descer correndo do palco,
a tempo de aplaudir os nossos atos.
e recolher as flores e agradecer cada grito de "bravo!"
e só quando se apagarem as luzes,
fugir correndo ao camarim,
onde nos esperam os cremes para retirar as
máscaras,
junto às roupas  da vida real.
hora de varrer, então, o chão da platéia,
os camarotes, recolher o que foi esquecido,
devolver o que foi perdido.
agora a rua nos espera.
agora você já pode ir.

27.12.10

this one is for you

pra mim, esta é uma época de agradecer.
como este blog só é visto pelas pessoas que são especiais pra mim, então coloco uma canção que também é muito linda pra dizer a vocês quanto eu sou grata por vocês estarem aqui (no blog e na minha vida).
feliz ano novo, amores!
primeiro a letra, depois a música na versão que mais gosto.

your song
Moulin Rouge
Composição: Elton Jonh

my gift is my song
and this one's for you
and you can tell everybody
that this is your song
it maybe quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

i sat on the roof
and I kicked off the moss
well some of these verses
well they've got me quite cross

but the sun's been kind
while I wrote this song
it's for people like you that
keep it turned on

so excuse me forgetting
sut these things I do
you see I've forgotten
if they're green or they're blue

anyway, the thing is
what I really mean
you got the sweetest eyes
i've ever seen
and you can tell everybody
that this your song
it may be quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

ihope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world


http://www.youtube.com/watch?v=s_d3cS8zRbY

14.10.10

tic-tac

sempre achei que tinha tempo.
hoje é o tempo quem me tem
se ele corre, ofego com ele
e ficamos os dois parados na chuva , olhando as pessoas.
nos debruçamos em sincronia nas janelas
vasculhando o dentro e o fora
com a mesma irreverente sofreguidão.
somos parceiros nos assaltos às horas,
adversários  em jogos de paintball
(o tempo insiste em usar diferentes cores,
o que me faz nunca saber
quem é na verdade o inimigo).
tudo que quero é que ele
nunca ande mais depressa do que posso.
que me acompanhe o ritmo de passos
elásticos agora (ainda),
talvez pequenos e hesitantes logo um dia.
o tempo é também meu melhor amante.
aquele que não desistirá de mim.

10.8.10

quase lá

entraram correndo, palavras adentro,
como um bando de crianças malcriadas
trocaram tudo de lugar,
bagunçaram armaduras,
jogaram livros e espadas no chão.
foi um tumulto louco,
por pouco
não entro a correr também.
fui salva por uma ponta de bom-senso,
vestida de tubarão azul, que me trincou nos dentes
e levou ao mar,
deixando no chão
um fino rastro de riso infantil.

4.4.10

mrs smith

o calor da forja deixa meu rosto brilhante de suor.
cada martelada arranca fagulhas fátuas do metal.
o que estarei tão laboriosamente moldando?
a espada da libertação...
um novo grilhão...

concentrada, continuo a faina.
e a noite lá fora não me conta segredos
nem me traz repostas.
apenas permite que a escuridão e o silêncio
acolham amorosamente o meu mourejar.

13.3.10

carvão

ana carolina

surgiu como um clarão
um raio me cortando a escuridão
e veio me puxando pela mão
por onde não imaginei seguir
me fez sentir tão bem, como ninguém
e eu fui me enganando sem sentir
e fui abrindo portas sem sair
sonhando às cegas, sem dormir
não sei quem é você

o amor em seu carvão
foi me queimando em brasa no colchão
e me partiu em tantas pelo chão
me colocou diante de um leão
o amor me consumiu,
depois sumiu
e eu até perguntei, mas ninguém viu
e fui fechando o rosto sem sentir
e mesmo atenta, sem me distrair
não sei quem é você

no espelho da ilusão
se retocou pra outra traição
tentou abrir as flores do perdão
mas bati minha raiva no portão
e não mais me procure sem razão
me deixe aqui e solta a minha mão
e fui flechando o tempo, sem chover
fui fechando os meus olhos, pra esquecer
quem é você?

http://www.youtube.com/watch?v=2WhVHQ6GHVA&feature=fvst

só a casca.

de quanto vazio estamos falando?
1/2 copo? um oceano inteiro?
falo de um vazio que dá eco nas palvras que escrevo.
que interrompe o ruído do tráfego.
um vazio-nuvem-de-chuva a escurecer céu e horizonte.
não, não é um peso, não é uma dor, sequer é um mal.
vazio.
oco.
leve.
absoluto.
vazio.

4.3.10

depois de um looooooonnnngo tempo sem internet, volto à ativa. em breve, novas postagens. e não sei pq não se podia deixar comentários. espero que agora, que mexi em tudo nas configurações, tenha coseguido liberá-los.

25.1.10

só pra garantir

se algum amigo vir isso, me desculpe. só bateu uma meda de fecharem meu blog por w.o.
ainda estou sem internet em casa.
breve.

26.11.09

transportadora gato preto

está na hora de mudar.
os cabelos, as roupas, as fugas.
e, ao mesmo tempo, de voltar.
às palavras, às madrugadas, às justas.

vou empacontando as coisas, enquanto meu novo lugar não se apronta.
ainda não é hora de remexer nos velhos baús.
em breve, em novo endereço.

19.9.09

sempre ela

de manhã, é ela quem escova os dentese penteia os cabelos, enquanto eu me escondo entre as cobertas. é ela quem toma café, almoça e janta, com todas as proteinas, vitaminas e carboidratos, cuidando do meu corpo, enquanto eu acendo um cigarro atrás do outro. é ela quem vai pro trabalho, cria, produz e sorri, enquanto eu navego entre a internet e minhas ausências. é ela quem cuida da minha filha, ri e brinca, enquanto eu assisto 'entre lençois'. à noite, quando ela dorme, cansada, vou pra sacada compor versos pra ninguém. mas nunca esqueço de cobri-la e lhe dar um beijo. de espantar fantasmas e mosquitos. e me pergunto até quando ela vai me suportar.

2.9.09

de poucas palavras

eu te amo.
eu te odeio.
adeus.
oi!
esquece.
não era você.
eu vi.
é verdade.
é mentira.

não são necessárias muitas palavras pra mudar uma vida. apenas que sejam as certas. e, talvez, esta seja a parte difícil.

27.7.09

eu, aqui, de novo.

na beira do abismo não há mais perdas. você se joga . a paisagem passa rápido. perde-se a noção da profundidade, as distâncias não fazem mais sentido. isso é a vida em plena vibração. já não se sabe. por instinto, batemos as asas. em algum momento, tudo vai se definir. mas agora, com licença - preciso decidir urgentemente se estou voando ou caindo.

20.6.09

jasmins demais.

em torno do vazio, construí o meu castelo.
bem no meio dele, ergui minhas muralhas.
achei que assim estaria protegida
de toda dor.
o vazio riu da minha ingenuidade...
foi-me entrando pelos poros,
viajando em minhas células.
o vazio também fez
em mim sua morada.
mas em algum lugar,
de alguma maneira,
sem que eu sequer quisesse
ou percebesse,
brotou um pé de jasmim.
(se você não sabe, o vazio não gosta de raízes,
nem de flores e muito menos
de perfumes.)
os galhos desta planta maravilhosa
foram rompendo as barreiras
como quem derruba paredes.
espalharam-se em toda a extensão
das minhas defesas ilusórias
fizeram entrar o sol,
permitiram chuvas e tempestades.
agora, descanso sentimentos
colhendo jasmins.
o vazio se recolhe
e meu castelo foi ao chão.
estou exposta ao que se avizinha,
ao que o vento traz.
meu pé de jasmim sorri.
“a vida, não tem defesas, meu bem...
o que nos une é o que nos falta.”