23.10.12

80 por hora.

olhar pra trás é agridoce. doce a inconsciência dos poucos anos. doces as ilusões. doces as fantasias e a maneira leve como olhávamos o mundo. doces  a dores, as decepções, porque sempre havia amanhã.  muitos amanhãs. éramos infinitos. éramos jovens. éramos pássaros.
saudosismo bruto, eu sei. nada é tão cor-de-rosa. mas visto daqui, este é o cenário. 
por mais amanhãs que eu ainda tenha, não têm mais a ignorância daqueles dias. eu sei. e isso muda tudo. claro que cada minuto é novo e surpreende. mas... agora existe um medo. não sou só mais eu e o mundo. sou eu, trabalho, família, contas, casa, carro... não, não dá pra ser igual.  o que sinto falta, nunca mais terei. 
não dá pra desolhar o que já vi, pra dessentir o que passei, nem pra desviver tantas coisas. esse é o travo. o amargo. o cínico. o cético. aí o proparoxítono. minha vida, hoje, é boa. tenho tesouros de que nunca abriria mão, nem por aqueles dias cor-de-rosa. mas, ô saudade. do que eu era. do que eu seria. não tenho pretensões a peter pan, mas que falta fazem as minhas ombreiras...

18.9.12

muitos anos depois

era hora do adeus e ela não percebia
tão atenta a outros sinais
o de que não seria jamais
o que prometera.
não havia mais malas a fazer.
nem gestos a lamentar,
nem ausências,
nem nada.
apenas um minuto de silêncio
dedicado a um pé de jasmim.
quando a porta bateu não fez vento.
ainda assim um papel caiu
num chão que não havia mais.

8.3.12

ilusão é quando a gente sobe uma escada que não existe.

23.12.11

minha mensagem de natal não é pra você adulto.

é pra você criança.
pra o você que você era quando quis tanto o amor perfeito dos seus pais e só conseguiu um amor de pais humanamente imperfeitos.
para o menino ou menina que queria muito um amor incondicional, e que foi se adaptando a tantos “se” que um dia se perdeu do que de fato era. e é.
para aquela criança que foi construindo imagens e máscaras e tentando outros jeitos de ser, pra ser melhor, mais bonita, mais qualquer coisa que pudesse ser para ser mais amada.
para a criança que fingia dormir, atenta aos ruídos de papai noel, que corria até a porta - “ele tá indo, ele tá indo... ahh... já foi!”
para a criança que se esconde hoje sob o escudo do adulto, que vive suas infantilidades sem perceber, na briga, na mágoa, nos desejos, na intolerância à frustrações; mas também na leveza, no riso, na molecagem gostosa.
pra essa criança que eu digo: feliz natal, meu amor! que 2012 desembrulhe pra você o carinho, a segurança, as certezas de que há um adulto que pode cuidar de você e sustentar tudo aquilo que lhe parece, às vezes, grande demais. (e se você não percebeu esse adulto também é você.)
então, vamos brincar? de quê? de ano novo, ora bolas!




9.12.11

dia desses

quanto tempo faz não me olho nesse espelho.
quanto tempo sem ouvir notícias,
nem ver fotos,
nem receber emails.
ficar tanto tempo sem me ver
não pode acontecer.
um dia desses,
andando pela rua, vou cruzar comigo.
e será apenas um levantar de sombrancelhas,
e uma vaga lembrança de algum lugar...

4.8.11

o que fazem nossas desculpas

eram tantas e tão diversas,
todas querendo sair ao mesmo tempo,
desordenadas.
e as quietas, caladas, ao fundo,
me olhavam implorando: liberta-nos!
na fuga da cidadela,
nas estradas cheias de refugiados de guerra,
minha confusão era apenas mais uma.
e fui deixando que os tanques de silêncio
dominassem a paisagem,
que as trincheiras se erguessem cada vez mais fundas e altas.
vejo agora a paisagem desolada
construída com as desculpas dos dias.
e ainda toca-me fundo
o olhar daquelas palavras.

2.8.11

Não ando perdida, mas desencontrada.
(Cecília Meireles)

10.6.11

talvez seja sem sentido,
talvez  não seja politicamente correto.
mas a face que no espelho me
escarnece:
velha!
é a mesma que me grita: cresce!

15.5.11

e pronto.

foi pressa, foi festa, foi fácil....
e eu que achava conhecer tudo,
descobri:
é muito mais.

24.2.11

prece madura

pai, agora que não estou mais no tempo de alimentar ilusões,
aguça meus sentidos para que eu perceba a beleza das realidades.


pai, agora que as opções foram feitas e tantas portas se
fecharam no definitivo, dá-me aceitação para que as renúncias não
sejam um fardo pesado demais.


pai, agora que a soma dos erros derrubou as jovens ilusões
de onipotência, não me tire as pretensões de continuar tentando
acertar.


pai,  agora que tantos desenganos, tantas incompreensões
repetiram lições de ceticismo, conserva minha boa fé e minha
disponibilidade frente às criaturas.


pai,  agora que as forças do meu corpo começaram a falhar,
alerta o meu espírito; livra-me do comodismo, redobra minha vontade.


pai, agora que já aprendi a precariedade de todas as coisas,
as limitações de todas as lutas, as proporções de nossa pequenez,
afasta-me do desânimo.


pai,  agora que já alcancei o ponto de perspectiva que me exalta a
visão do pouco que sei, livra-me da defesa fácil de colocar viseiras
e ajuda-me a envelhecer com a abertura dos corajosos,
dos que suportam provações até a hora da morte.


pai,  agora que aumenta o círculo das criaturas que me olham
e esperam alguma coisa de mim, dá-me um pouco de sabedoria,
ensina-me a palavra certa, inspira-me o gesto exato,
norteia minha atitude.


pai,  agora que perdi a abençoada cegueira da juventude
e só amar de olhos abertos, redobra minha compreensão,
ajuda-me a superar as mágoas, protege-me da amargura.


deus pai, , concede-me a graça de não cair na desilusão, de não
chorar o passado, de continuar disponível, de não perder o ânimo,
de não envelhecer jovem, de chegar à morte com reservas de amor.


(autoria desconhecida)

há tempos, uma querida me enviou esta prece. achei linda na época. mas agora faz  mais sentido. o fruto só cai quando maduro, não é?

17.1.11

coisa mais feia!

que menina mal-comportada,
desatando a correr nesse quintal!
pára, menina, sossega,
não vê que o chão é de cristal?

30.12.10

cai o pano

não saia agora, nem vire o rosto.
aqui se faz, aqui se vive
cada cena, do prólogo ao epílogo.
nem pense em ir embora
antes que caia a cortina dos sonhos.
é preciso descer correndo do palco,
a tempo de aplaudir os nossos atos.
e recolher as flores e agradecer cada grito de "bravo!"
e só quando se apagarem as luzes,
fugir correndo ao camarim,
onde nos esperam os cremes para retirar as
máscaras,
junto às roupas  da vida real.
hora de varrer, então, o chão da platéia,
os camarotes, recolher o que foi esquecido,
devolver o que foi perdido.
agora a rua nos espera.
agora você já pode ir.

27.12.10

this one is for you

pra mim, esta é uma época de agradecer.
como este blog só é visto pelas pessoas que são especiais pra mim, então coloco uma canção que também é muito linda pra dizer a vocês quanto eu sou grata por vocês estarem aqui (no blog e na minha vida).
feliz ano novo, amores!
primeiro a letra, depois a música na versão que mais gosto.

your song
Moulin Rouge
Composição: Elton Jonh

my gift is my song
and this one's for you
and you can tell everybody
that this is your song
it maybe quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

i sat on the roof
and I kicked off the moss
well some of these verses
well they've got me quite cross

but the sun's been kind
while I wrote this song
it's for people like you that
keep it turned on

so excuse me forgetting
sut these things I do
you see I've forgotten
if they're green or they're blue

anyway, the thing is
what I really mean
you got the sweetest eyes
i've ever seen
and you can tell everybody
that this your song
it may be quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

ihope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world


http://www.youtube.com/watch?v=s_d3cS8zRbY

14.10.10

tic-tac

sempre achei que tinha tempo.
hoje é o tempo quem me tem
se ele corre, ofego com ele
e ficamos os dois parados na chuva , olhando as pessoas.
nos debruçamos em sincronia nas janelas
vasculhando o dentro e o fora
com a mesma irreverente sofreguidão.
somos parceiros nos assaltos às horas,
adversários  em jogos de paintball
(o tempo insiste em usar diferentes cores,
o que me faz nunca saber
quem é na verdade o inimigo).
tudo que quero é que ele
nunca ande mais depressa do que posso.
que me acompanhe o ritmo de passos
elásticos agora (ainda),
talvez pequenos e hesitantes logo um dia.
o tempo é também meu melhor amante.
aquele que não desistirá de mim.

10.8.10

quase lá

entraram correndo, palavras adentro,
como um bando de crianças malcriadas
trocaram tudo de lugar,
bagunçaram armaduras,
jogaram livros e espadas no chão.
foi um tumulto louco,
por pouco
não entro a correr também.
fui salva por uma ponta de bom-senso,
vestida de tubarão azul, que me trincou nos dentes
e levou ao mar,
deixando no chão
um fino rastro de riso infantil.

4.4.10

mrs smith

o calor da forja deixa meu rosto brilhante de suor.
cada martelada arranca fagulhas fátuas do metal.
o que estarei tão laboriosamente moldando?
a espada da libertação...
um novo grilhão...

concentrada, continuo a faina.
e a noite lá fora não me conta segredos
nem me traz repostas.
apenas permite que a escuridão e o silêncio
acolham amorosamente o meu mourejar.

13.3.10

carvão

ana carolina

surgiu como um clarão
um raio me cortando a escuridão
e veio me puxando pela mão
por onde não imaginei seguir
me fez sentir tão bem, como ninguém
e eu fui me enganando sem sentir
e fui abrindo portas sem sair
sonhando às cegas, sem dormir
não sei quem é você

o amor em seu carvão
foi me queimando em brasa no colchão
e me partiu em tantas pelo chão
me colocou diante de um leão
o amor me consumiu,
depois sumiu
e eu até perguntei, mas ninguém viu
e fui fechando o rosto sem sentir
e mesmo atenta, sem me distrair
não sei quem é você

no espelho da ilusão
se retocou pra outra traição
tentou abrir as flores do perdão
mas bati minha raiva no portão
e não mais me procure sem razão
me deixe aqui e solta a minha mão
e fui flechando o tempo, sem chover
fui fechando os meus olhos, pra esquecer
quem é você?

http://www.youtube.com/watch?v=2WhVHQ6GHVA&feature=fvst

só a casca.

de quanto vazio estamos falando?
1/2 copo? um oceano inteiro?
falo de um vazio que dá eco nas palvras que escrevo.
que interrompe o ruído do tráfego.
um vazio-nuvem-de-chuva a escurecer céu e horizonte.
não, não é um peso, não é uma dor, sequer é um mal.
vazio.
oco.
leve.
absoluto.
vazio.

4.3.10

depois de um looooooonnnngo tempo sem internet, volto à ativa. em breve, novas postagens. e não sei pq não se podia deixar comentários. espero que agora, que mexi em tudo nas configurações, tenha coseguido liberá-los.

25.1.10

só pra garantir

se algum amigo vir isso, me desculpe. só bateu uma meda de fecharem meu blog por w.o.
ainda estou sem internet em casa.
breve.