27.12.10

this one is for you

pra mim, esta é uma época de agradecer.
como este blog só é visto pelas pessoas que são especiais pra mim, então coloco uma canção que também é muito linda pra dizer a vocês quanto eu sou grata por vocês estarem aqui (no blog e na minha vida).
feliz ano novo, amores!
primeiro a letra, depois a música na versão que mais gosto.

your song
Moulin Rouge
Composição: Elton Jonh

my gift is my song
and this one's for you
and you can tell everybody
that this is your song
it maybe quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

i sat on the roof
and I kicked off the moss
well some of these verses
well they've got me quite cross

but the sun's been kind
while I wrote this song
it's for people like you that
keep it turned on

so excuse me forgetting
sut these things I do
you see I've forgotten
if they're green or they're blue

anyway, the thing is
what I really mean
you got the sweetest eyes
i've ever seen
and you can tell everybody
that this your song
it may be quite simple
but now that it's done

i hope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world

ihope you don't mind
i hope you don't mind
that I put down in words
how wonderful life is
now you're in the world


http://www.youtube.com/watch?v=s_d3cS8zRbY

14.10.10

tic-tac

sempre achei que tinha tempo.
hoje é o tempo quem me tem
se ele corre, ofego com ele
e ficamos os dois parados na chuva , olhando as pessoas.
nos debruçamos em sincronia nas janelas
vasculhando o dentro e o fora
com a mesma irreverente sofreguidão.
somos parceiros nos assaltos às horas,
adversários  em jogos de paintball
(o tempo insiste em usar diferentes cores,
o que me faz nunca saber
quem é na verdade o inimigo).
tudo que quero é que ele
nunca ande mais depressa do que posso.
que me acompanhe o ritmo de passos
elásticos agora (ainda),
talvez pequenos e hesitantes logo um dia.
o tempo é também meu melhor amante.
aquele que não desistirá de mim.

10.8.10

quase lá

entraram correndo, palavras adentro,
como um bando de crianças malcriadas
trocaram tudo de lugar,
bagunçaram armaduras,
jogaram livros e espadas no chão.
foi um tumulto louco,
por pouco
não entro a correr também.
fui salva por uma ponta de bom-senso,
vestida de tubarão azul, que me trincou nos dentes
e levou ao mar,
deixando no chão
um fino rastro de riso infantil.

4.4.10

mrs smith

o calor da forja deixa meu rosto brilhante de suor.
cada martelada arranca fagulhas fátuas do metal.
o que estarei tão laboriosamente moldando?
a espada da libertação...
um novo grilhão...

concentrada, continuo a faina.
e a noite lá fora não me conta segredos
nem me traz repostas.
apenas permite que a escuridão e o silêncio
acolham amorosamente o meu mourejar.

13.3.10

carvão

ana carolina

surgiu como um clarão
um raio me cortando a escuridão
e veio me puxando pela mão
por onde não imaginei seguir
me fez sentir tão bem, como ninguém
e eu fui me enganando sem sentir
e fui abrindo portas sem sair
sonhando às cegas, sem dormir
não sei quem é você

o amor em seu carvão
foi me queimando em brasa no colchão
e me partiu em tantas pelo chão
me colocou diante de um leão
o amor me consumiu,
depois sumiu
e eu até perguntei, mas ninguém viu
e fui fechando o rosto sem sentir
e mesmo atenta, sem me distrair
não sei quem é você

no espelho da ilusão
se retocou pra outra traição
tentou abrir as flores do perdão
mas bati minha raiva no portão
e não mais me procure sem razão
me deixe aqui e solta a minha mão
e fui flechando o tempo, sem chover
fui fechando os meus olhos, pra esquecer
quem é você?

http://www.youtube.com/watch?v=2WhVHQ6GHVA&feature=fvst

só a casca.

de quanto vazio estamos falando?
1/2 copo? um oceano inteiro?
falo de um vazio que dá eco nas palvras que escrevo.
que interrompe o ruído do tráfego.
um vazio-nuvem-de-chuva a escurecer céu e horizonte.
não, não é um peso, não é uma dor, sequer é um mal.
vazio.
oco.
leve.
absoluto.
vazio.

4.3.10

depois de um looooooonnnngo tempo sem internet, volto à ativa. em breve, novas postagens. e não sei pq não se podia deixar comentários. espero que agora, que mexi em tudo nas configurações, tenha coseguido liberá-los.

25.1.10

só pra garantir

se algum amigo vir isso, me desculpe. só bateu uma meda de fecharem meu blog por w.o.
ainda estou sem internet em casa.
breve.

26.11.09

transportadora gato preto

está na hora de mudar.
os cabelos, as roupas, as fugas.
e, ao mesmo tempo, de voltar.
às palavras, às madrugadas, às justas.

vou empacontando as coisas, enquanto meu novo lugar não se apronta.
ainda não é hora de remexer nos velhos baús.
em breve, em novo endereço.

19.9.09

sempre ela

de manhã, é ela quem escova os dentese penteia os cabelos, enquanto eu me escondo entre as cobertas. é ela quem toma café, almoça e janta, com todas as proteinas, vitaminas e carboidratos, cuidando do meu corpo, enquanto eu acendo um cigarro atrás do outro. é ela quem vai pro trabalho, cria, produz e sorri, enquanto eu navego entre a internet e minhas ausências. é ela quem cuida da minha filha, ri e brinca, enquanto eu assisto 'entre lençois'. à noite, quando ela dorme, cansada, vou pra sacada compor versos pra ninguém. mas nunca esqueço de cobri-la e lhe dar um beijo. de espantar fantasmas e mosquitos. e me pergunto até quando ela vai me suportar.

2.9.09

de poucas palavras

eu te amo.
eu te odeio.
adeus.
oi!
esquece.
não era você.
eu vi.
é verdade.
é mentira.

não são necessárias muitas palavras pra mudar uma vida. apenas que sejam as certas. e, talvez, esta seja a parte difícil.

27.7.09

eu, aqui, de novo.

na beira do abismo não há mais perdas. você se joga . a paisagem passa rápido. perde-se a noção da profundidade, as distâncias não fazem mais sentido. isso é a vida em plena vibração. já não se sabe. por instinto, batemos as asas. em algum momento, tudo vai se definir. mas agora, com licença - preciso decidir urgentemente se estou voando ou caindo.

20.6.09

jasmins demais.

em torno do vazio, construí o meu castelo.
bem no meio dele, ergui minhas muralhas.
achei que assim estaria protegida
de toda dor.
o vazio riu da minha ingenuidade...
foi-me entrando pelos poros,
viajando em minhas células.
o vazio também fez
em mim sua morada.
mas em algum lugar,
de alguma maneira,
sem que eu sequer quisesse
ou percebesse,
brotou um pé de jasmim.
(se você não sabe, o vazio não gosta de raízes,
nem de flores e muito menos
de perfumes.)
os galhos desta planta maravilhosa
foram rompendo as barreiras
como quem derruba paredes.
espalharam-se em toda a extensão
das minhas defesas ilusórias
fizeram entrar o sol,
permitiram chuvas e tempestades.
agora, descanso sentimentos
colhendo jasmins.
o vazio se recolhe
e meu castelo foi ao chão.
estou exposta ao que se avizinha,
ao que o vento traz.
meu pé de jasmim sorri.
“a vida, não tem defesas, meu bem...
o que nos une é o que nos falta.”

24.5.09

autoimagem

tem uma pessoa que vive me enchendo de elogios. que eu sou fantárdiga, maravilhosa, especial etc.
e eu passo o tempo todo tentando convencer esta pessoa de que isso não é verdade. do quanto sou incompetente, desastrada, esquecida; mencionando minhas celulites - as físicas e as mentais -, com a insistência de quem tem a certeza do mundo.

tá bom, se eu fosse tudo que este ser iluminado me diz, eu seria mesmo tudo de bom. a última bolacha do pacote. o gás da coca-cola. a pururuca da leitoa. não bato esse bolão. mas também não sou a adcdcdb (ameba do cocô do cavalo do bandido).

por que insisto em me mostrar só no lado arranhando do espelho? por enquanto só hipóteses... a resposta mais provável é um grande medo de decepcionar esta pessoa que me enxerga assim, de um jeito tão especial.

e coloco esta história tão particular aqui porque acho o tema pertinente. vejo amigas fazendo o mesmo (disse amigas - homem não faz isso). mulheres de qualidade rara se menosprezando aqui e ali.

da próxima vez que alguém me disser que eu sou isso de bom e aquilo de melhor, vou tentar lembrar que tenho qualidades verdadeiras. e que errar não é trágico, mesmo que desaponte. parece simples. parece. e por isso mesmo não precisa da minha ajuda pra ser complicado.

então, pessoa-que-me-elogia, só tenho uma coisa pra lhe dizer: muito grata. que bom que vc consegue ver aquilo que ainda tenho tanta dificuldade pra enxergar.

12.5.09

o mínimo necessário

nada mais do que isso:
um vento vai mexer a folhagem,
ou uma porta vai se abrir e fechar.
e eles saberão.
o que será,
já é.
poucas palavras.
gestos comedidos.
um riso monalísico,
um ar europeu.
tons pastéis,
pele matizada,
essência de lavanda.
por trás desta fachada,
babilônia se diverte.

2.5.09

sísifo


quando as emoções se ajuntam
em pilhas altas, maiores que eu,
tento rearranjá-las em poemas,
palavras que lhes dêem uma dimensão mais real.

quando as emoções gritam dissonantes
tento lhes dar algum ritmo
ainda que seja o das linhas
que se quebram num texto menos confuso.

nem sempre, no entanto,
isso chega
a mudar a dor que provocam
ou a grandeza e imensidão
que lhes são próprias e não me cabem.

talvez aí me sinta mais poeta,
discplicente embora nas minhas rimas pobres
ou na total ausência de coerência e forma.

esse texto é a prova final,
de que por mais que eu tente,
quando as emoções são tantas,
elas dominam o que tenho de mais lógico,
e me deixam exausta como um operário de obra,
a erguer paredes e fundações
que não se sustentam.

talvez neste momento,
o único a me entender verdaderiamente fosse
uma figura mitológica,
empenhado em empurrar ladeira acima,
a pedra que sempre volta
sem jamais chegar ao topo
de qualquer mínima verdade.





Diz a lenda que Sísifo era filho do rei Glauco de Corinto. Sísifo desafiou os deuses espalhando os seus segredos. O castigo imposto pelos deuses a Sísifo foi o seguinte: Sísifo teria que carregar uma pedra enorme até ao topo de uma montanha, no entanto, sempre que estava quase a chegar ao seu objectivo a pedra voltava sempre a rolar pela encosta abaixo, o que o obrigava a fazer tudo outra vez, por toda a eternidade.

21.4.09

não sou mais quem eu sabia:
sou outra, tão menos apropriada...
tão menos arrredia,
tão mais espevitada.

esta é menos que podia,
esta é tão desligada.
falta-lhe a memória dos dias,
falta-lhe o senso de outrora
falta-lhe o sentido das horas,
sobram-lhe medidas vazias.

a que eu era, era tão mais vívida,
todos lhe admiravam a pose;
esta outra é só vida
é não há o que não goze.
triste, mais realista, mais quieta;
mais alegre, mais disposta, menos reta.

o que eu era já não cabe
nesta via.
sou uma outra,
ou uma mesma
que eu não conhecia.

9.4.09

caiu a ficha?


esse deve ser o livro do ano. mulheres, assim que alfabetizadas, deviam lê-lo. decorar, mesmo. comer com farinha, passar no rosto...
pendurar na parede, página a página. pra esse caso não existe mulher inteligente. é tudo alice pollyana (desconfio que até a leila diniz...). blargh!

agarrei-me à máscara, como se dela dependesse a vida. se ninguém vê meu rosto, meus sentimentos, é como se eles não existissem no mundo real. claro que sei: é por pouco tempo. mas todos têm seu necessário alívio, ainda que temporário. saber que ninguém vê meus olhos é tranquilizador. esta burca me defende da pena e da raiva; do vazio e do medo;de algumas possibilidades de amanhã.
a máscara me cai bem. com ela todo dia é de sol, toda manhã é sábado, toda dor é vácuo.

28.3.09

coisas que a gente faz

existe um peso que a gente não conta
só levanta a cabeça bem alto
e continua andando
sem se curvar.

a gente aguenta e pisa firme
mantém a face serena
e as mãos bem fechadas
pra nada deixar escapar.

o medo a gente disfarça em música,
a fome a gente mata no trabalho,
e a ânsia a gente guarda pra depois -
quando fechar a porta, apagar a luz
e tampar a cabeça
com o cobertor da escuridão.

23.3.09

um dia ainda vou ser santa.

o caminho do meio... ora o caminho do meio. ele não passa lá nem cá. contempla-se de longe o rio e a floresta, sem o frescor da água, nem o alívio da sombra. o caminho do meio é para os santos, os que já não desejam. e eu só quero tudo. muito. intenso, imenso e imersa. quero todos os sentidos em alta, troco a latencia pela ardencia e a beatitude pela completude. um dia, talvez eu atinja o equilíbrio. no momento, minha única segurança é a corda que mal me sustenta. e ainda assim acredito: no lugar da queda, voo.

22.3.09

história

eu não tinha idéia da minha arrogância. tampouco da profundidade de minha ignorância a respeito dos meus próprios sentimentos. assim me envolvi na alegre inconseqüência dos que pouco sabem, e pulam e saltam poças como se nada lhes fora ser cobrado um dia. confundi leveza com o que era insapiência, despojamento com o que era uma absurda fuga dos meus princípios. tudo chega a seu termo e lá habitam os resultados. num segundo desci da torre ao calabouço. e, por vezes, no silêncio que se segue à tempestade, ainda ouço o som de um grito que mal reconheço meu . o tombo foi perfeito em trajetória e altura. ilusões quebradas, véus rasgados... e um frio endurecendo as emoções. mas como nada é sem remédio, dei a mão à criança que, devagar, me levou acima, degrau a degrau. longa a subida, profundo o desapontamento. saí. ando ainda um pouco trôpega, já que a falta da ilusão me faz perder às vezes o rumo certo. a luz da consciência me ofusca, sem a doce proteção de maya. mas caminho e sei para onde vou. paro de tempos em tempos para reorganizar os planos, agora bem mais simples. confesso trazer ainda na mochila algumas lembranças. tenho esperança de que, em algum ponto da estrada, terei a coragem de enterrá-las. talvez não. não fará tanto mal levá-las até um pouco mais além. nesse momento a criança me chama. coloco-a em meu colo, a pequena cabeça acomodada na curva do meu pescoço. isso também é felicidade.

21.3.09

por um sol que não queime

a quem você trairia para obter o que deseja?
a quem você mentiria para chegar onde almeja?
que pequena morte você corteja,
ao persisitir em tamanha cegueira?
nem tudo nos vem de bandeja,
mesa posta, de delícias farta.
por vezes, a pão e água se conquistam
maiores certezas que ilusões tão falhas.

minha cota de malha é leve
para artilharia tão pesada.
recuo para trás das torres
erguida por pedras atiradas.
menos por medo que por estratégia,
nem por pudor ou por alma rígida,
mas porque a dor que se vê tão nítida
não será minha, mas de quem não se protege.

o que ofereço (te parece pouco?)
é um rosto limpo e uma manhã sem mácula.
um lago límpido, numa floresta clara,
onde o reflexo deste sol tão raro
encha de luz o que é a mim tão caro.

7.3.09

...

o céu está cinza azulado. o pôr-do-sol joga em tudo uma estranha luz rosada. nuvens pesadas prenunciam chuva e um vento bom torna tudo suportável. estranha sintonia entre o que está dentro de mim e o tempo.também em mim há nuvens carregadas; uma estranha luz dá a tudo uma ar de foto antiga. há prenúncio de lágrimas, mas há sempre o vento...me sinto acolhida pela semelhança. assim em cima como embaixo. tenho uma notável percepção do presente, das opções, das perdas. tudo em mim é tensão e raio e trovão não tardam. fecho as janelas, cubro os espelhos. a tempestade vai logo desabar.

6.3.09

impressionista

eu queria ocupar um espaço.
deixar marcas, digitais
(mas não cicatrizes).
queria me ver nesse espelho
feito de vontade e ousadia,
e espelhar por minha vez
o que fosse verdade.
queria as portas abertas,
por onde o vento corresse livre.
nenhum amanhã, nenhuma vaga promessa,
somente a liberdade de ser
inteira e leve.
queria pendurar
na parede da memória*
um quadro de luz e espaço.
fica aberta, então, a vontade.
ao futuro tudo é possível.
e um prego preparado
aguarda essa iluminada pintura de monet
(um outro dia?)

* by belchior

2.3.09

irmãos, é preciso coragem

eu sei que amanhã será outro dia.
sei que será um lindo dia, da mais louca alegria
que se possa imaginar.
sei que desesperar jamais, e que louco é quem me diz que não é feliz.
sei que o amor tem feito coisas
que até mesmo deus duvida,
já curou desenganados,
já fechou tanta ferida.
sei que tudo é uma questão de manter
a mente quieta, a espinha ereta
e o coração tranquilo.
sei que i've got a friend,
que eu tenho que don't worry
and be happy.
só não sei é como dar jeito
no que acontece agora
neste vácuo de momento,
nesse istmo de tempo
em que da beira do abismo
se dá o salto.

27.2.09

coração bobo

tem coisa mais irritante que ouvir o próprio coração rindo da gente?
toda noite faço promessa pra n. sra. da santa razão guiar meus passos e fazer esse indivíduo calar a boca. ele? nem tchuns. que reiva!

20.2.09

minhas tristezinhas

é difícil escrever
com uma alma tão vazia:
vazia de rumos
vazia de tudo.
(é difícil colocar em palavras
o que não se sabe descrever
nem conciliar
com tanto a fazer.)
escrevo então confusões,
meio bobas, sem sentido.
mas dizem tanto do que sinto
que mal cabem nas linhas que imprimo.
seria tão bom se eu soubesse
escrever em forma de silêncio,
e que a ausência de letras expusesse
a tinta desta caneta invisível.
veja, dispo agora essas palavras,
de todo seu arrazoado.
e no espaço vazio abaixo,
entrego a poesia da minha tristeza.

(não tenha medo. a tristeza que é lida
não contamina. nem mesmo essas, nuazinhas...
são muito puras, as coitadinhas.)





















.

13.2.09

Tonight I can write the saddest lines

(Pablo Neruda)


Tonight I can write the saddest lines.
Write, for example,'The night is shattered
and the blue stars shiver in the distance.
'The night wind revolves in the sky and sings.

Tonight I can write the saddest lines.
I loved her, and sometimes she loved me too.

Through nights like this one I held her in my arms
I kissed her again and again under the endless sky.
She loved me sometimes, and I loved her too.
How could one not have loved her great still eyes.

Tonight I can write the saddest lines.
To think that I do not have her.
To feel that I have lost her.
To hear the immense night, still more immense without her.
And the verse falls to the soul like dew to the pasture.

What does it matter that my love could not keep her.
The night is shattered and she is not with me.This is all.

In the distance someone is singing. In the distance.
My soul is not satisfied that it has lost her.
My sight searches for her as though to go to her.
My heart looks for her, and she is not with me.

The same night whitening the same trees.
We, of that time, are no longer the same.

I no longer love her, that's certain, but how I loved her.
My voice tried to find the wind to touch her hearing.

Another's. She will be another's.
Like my kisses before.Her voice. Her bright body. Her infinity eyes.

I no longer love her, that's certain, but maybe I love her.
Love is so short, forgetting is so long.

Because through nights like this one I held her in my arms
my soul is not satisfied that it has lost her.

Though this be the last pain that she makes me suffer
and these the last verses that I write for her.

http://www.youtube.com/watch?v=zXHPk-ctoYY
(entre e ouça o poema com Andy Garcia)

12.2.09

eternamente

há muito tempo, literalmente no século passado, me gritaram o nome dessa música numa boate (ainda se chamava discoteca). com um recado (não literal, minha memória não chega a tanto): toda vez que ouvir, eu vou me lembrar.
não precisa dizer que grudou que nem praga (e foi mesmo de um pestinha, com cara de bebê johnson's). daí pra frente essa música sempre teve dono.
hoje, o tal peste é um amigo.
mas aos 20 anos, nunca e sempre duram... uma vida.
e a beleza, ao contrário do tempo, não passa.


Eternamente
(
Tunay E Sergio Natureza)

Só mesmo o tempo
Pode revelar
o lado oculto das paixões
O que se foi
E o que não passará
Inesquecíveis sensações
Que sempre vão ficar
Pra nos fazer lembrar
Dos sonhos, beijos
Tantos momentos bons
Só mesmo o tempo
Vai poder provar
A eternidade das canções
A nossa música está no ar
Emocionando os corações
Pois tudo que é amor
Parece com você
Pense, lembre
Nunca vou te esquecer
Vou ter sempre você comigo
Nosso amor eu canto e cantarei
Você é tudo que eu amei na vida
Nunca vou te esquecer

quase.

já deve ter acontecido com você. num procedimento médico, odontológico. numa sessão de massagem. sei lá onde. mas todo o preparatório indica: vai doer. você se prepara, o corpo retesa, a boca trava e os dentes estalam. e... nada. não dói! ou se dói é tão pouco perto do que você esperava que... é nada.
pois é. aconteceu comigo. me preparei toda: músculos retesados - ok; dentes travados - ok; olhos bem fechados - ok; lágrimas a postos - ok; garganta pronta pra se esgoelar em último recurso - ok.
...
...(?)
... (abro um olho)
... testo com a língua, cutuco com a ponta do pé... não, nada consta.
bom, pra falar a verdade doeu um pouquinho, sim. tão rápido... passou!
você não dever estar entendendo nada, né? nem eu.
deixa pra lá.

10.2.09

coisa de gente doida

fui dar uma volta no blog. brincar de túnel do tempo. gozado, se eu invertesse e colocasse o que escrevi no começo agora, estava bom. daí começo um bate-boca infrutífero com meus botões sobre se não estou andando em círculos. bom, pode ser que eu seja tão fantástica que tenha aquela coisa atemporal dos bons escritores. rá-rá-rá! (que delícia se eu fosse mesmo assim convencida...). por outro lado fico pensando: a gente cresce, amadurece, muda, desmuda... mas nossa maneira de sentir, muda também? claro que tem umas besteiras que deixamos pra lá, roupa que nem serve mais. emoções prescritas, sentimentos com data de validade vencida, vamos jogando esse lixo fora (sinal nº 1 de que a maturidade nos ronda). mas... a guia dos sentimentos, a linhagem das emoções, os trilhos desse trem... será que se alteram? limpe o supérfluo e me diga: a sensação do primeiro beijo numa pessoa desejada é diferente aos 20, aos 50? o frio na barriga é mais... adulto?
acho que todo mundo muda, sim. mas no raso, somos o que fomos. mais burilados.
(aí entra o caetano implícito e tasca logo um ou não...)

6.2.09

não há o que não haja.

o mundo é mesmo muito doido e
a vida, sempre uma novidade.
uma amiga, risadas, colo e choro...
pronto!
o mundo pra mim agora
dá pé.
de novo.

(grazie, bella)

5.2.09

ao que não é visto

e tem essa outra que não sabe onde põe as mãos
quando as coloca sobre a mesa
e que chora no velório das memórias,
essa outra que se disfarça e mastiga as lágrimas
(porque é feio chorar em público)
e as engole, até que voltem em refluxo.
essa outra sem compostura,
que se envergonha das palavras ditas
porque esperadas,
que guarda aquelas que derreteriam as geleiras
apenas por ser o frio gelo guardião do medo alheio.
essa outra que olha tanto
que vezes sem conta teve seus olhos vendados
por serem tão invasivos e intensos
quanto as tolas armas nucleares.
essa outra que não aparece,
a não ser como fazem as almas penadas,
para os que têm o misterioso dom
de enxergar
uma tão outra realidade.

o último cigarro


sobre a mesa branca, um cinzeiro pousa
à espera da próxima cinza fumada em silêncio.
um cigarro que ocupa a mão e a mente,
na noite passada entre uísques vazios.
por mais que pareça trágico, não me angustia.
aquele cinzeiro ainda vai achar companhia.
retratos de vida roubados ao tempo,
pequenas janelas de alegria.
e as mãos que se ocupam em fabricar cinzas de pensamentos
ainda vão estar ocupadas, construindo sentimentos.

13.11.08

pequenas coisas

se eu pudesse parar um pouco

descer um pouco

sorrir um pouco

aliviada

se eu pudesse escrever recados

com destinatários

se eu pudesse sair na chuva

escolher a fruta

esconder as farpas

estender as roupas

lavar os vidros

das pequenas janelas

se eu pudesse sussurrar encantos

revolver a terra

plantar meu fado

recolher as pérolas

e amar os porcos

se eu pudesse perdoar um pouco

descansar um pouco

dormir de leve

acordar baixinho

devagarinho

e para sempre.

só um pouco.

12.10.08

quando eu não estava olhando

a paisagem mudou, era já outro cenário.
eu não vi.
as notas eram outras, como eram novas as vozes.
cabelos brancos, uma ligeira barriguinha.
eu não vi. onde eu estava?
foi como perder aquela parte essencial do filme, a hora da revelação:
quem matou odete roitman?
agora, o frio nos ossos
me cantarola chico buarque...
já passou, já passou...
e foi justamente
quando eu não estava olhando.

28.7.08

ao senhor dos jardins


ensina-me, senhor, a viver a vida das borboletas,
a ter a calma paciência das lagartas que se enrolam
voluntárias em casulos de escuridão.
proteja-me da ânsia pelo movimento
que me impeça de cumprir o tempo da mutação.
permita, então, que eu perceba o soar da hora
de romper liames e aceitar minhas asas em sua completa extensão.
guia-me pelo mundo das cores,
provê-me da alegria da impermanência
que será - e só ela - meu alimento sagrado.
ensina-me, com teu amor, a viver a intensa beleza do efêmero,
a fartar-me da delícia de cada momento,
como se fossem todos eles um sinal de eternidade.
e quando se acabe este dia, leve e tranquilo como anoitecer ou
em dor e medo como o fim do amor,
dá-me a sabedoria de abandonar as velhas asas,
descer ao solo e,
humildemente, retomar o caminho da lagarta,
até que o cansaço me conduza de novo ao casulo
onde a vida trabalha silenciosa e obscura
para entregar-me ainda outra vez
as asas da plenitude.

pintados

olho para o armário
fechado
vermelho, brilhante,
mogno aviltado.
guarda roupas, sapatos,
contas, cabides vazios
dependurados.
como eu guardo
máscaras, sorrisos,
silêncio, carinhos
não levados.
eu e o armário,
fechados, guardamos o que nos é de direito.
ele - madeira
eu - madura
nós dois - pintados.
guardo no armário minhas tralhas.
e eu, são de quem as que guardo?

19.4.08

dor antiga

pra que sofrer
por uma dor que não vai
parar de doer

falar mal pra quê?
chorar não faz sentido
é uma coisa antiga
vai parar pra sofrer, por quê?


fica lá, fica lá
e não há o que fazer
é uma dor, só uma dor
então deixa doer

vai chegar um dia
em que a dor vai cansar de ficar
nessa casa vazia,
sem par,
vai cansar de doer sozinha

nesse dia, ela vai abrir a porta
vai deixar a ferida morta
vai virar cicatriz,
que importa
se agora ela dói tão quieta
amanhã vai deixar deserta
a paisagem do meu coração

e a chuva de pranto
que lava tudo
no meu chão vai penetrar bem fundo
e fazer brotar um jardim

me perdoa, então, mestre Cartola,
se suas rosas não falam
as minhas, elas não se calam
e vão falar de poesia e amanhã

mas hoje eu apenas me digo
nem toda dor é castigo
é uma dor, só uma dor
então deixa doer .

5.4.08

promessas antigas

ficam guardadas em barris de carvalho,
do tempo pegam um sabor quase cálido
falam baixinho palavras macias
e embriagam em leve euforia
promessas antigas têm mais valor
não são mais vazias,
destilam calor.
encho meu copo
e te sacio.
na tua, a minha boca
devora o vazio.

10.2.08

como quase sempre


digo sempre quase nunca
e raramente
acredito no infinito

sou da terra e do ar
opostos que se atraem
com a tranquilidade
de quem confia
na teoria da relatividade.

nesse momento a vida
passa em ritmo bossa nova
e joão gilberto me sussurra
esperanças de azul

quase nunca é por enquanto
advérbio de credibilidade
atemporal
como a rolleiflex
que me revelou
sua enorme
imensidão.

e a física me explica
o vazio entre dois corpos
e como é que pode:
o barquinho vai
se a tardinha cai...

7.9.07

sonhos

um sonho numa caixa
como jóia preciosa
para ser vista e nunca usada...
um sonho de vitrine
para ser admirado, desejado,
nunca vivido, nem realizado...

sonhos, bolhas de sabão.

vivê-los é matá-los?
ou lhes dar vida é que é viver?

rsssrsrssrs...
sei as respostas que meus amigos vão me dar.
rsrsrsrsrsrsr..........

27.8.07

momento mulherzinha

rosas

ana carolina
composição: totonho villeroy


você pode me ver
do jeito que quiser
eu não vou fazer esforço
prá te contrariar
de tantas mil maneiras
que eu posso ser
estou certa que uma delas
vai te agradar...
porque eu sou feita pro amor
da cabeça aos pés
e não faço outra coisa
do que me doar
se causei alguma dor
não foi por querer
nunca tive a intenção
de te machucar...
porque eu gosto é de rosas
e rosas, de rosas
acompanhadas de um bilhete
me deixam nervosa...
toda mulher gosta de rosas
e rosas, de rosas
muitas vezes são vermelhas
mas sempre são rosas...
se teu santo por acaso
não bater com o meu
eu retomo o meu caminho
e nada a declarar
meia culpa cada um
que vá cuidar do seu
se for só um arranhão
eu não vou nem soprar...
porque eu sou feita pro amor
da cabeça aos pés
e não faço outra coisa
do que me doar

7.8.07

uma vida por minuto

um minuto de silêncio pra cada decepção sentida.
um minuto de sorriso pra cada emoção descoberta.
um minuto de alívio pra cada amigo reencontrado.
um minuto de horizonte pra cada amor perdido.
um minuto de travesseiro pra cada encontro desmarcado.
um minuto de taquicardia pra cada telefonema esperado.
um minuto de suspiro pra cada cortesia inesperada.
um minuto de alegria pra cada centavo economizado.
um minuto de gargalhadas pra cada tombo levado.
um minuto de aspereza pra cada traição desvendada.
um minuto de poesia pra cada beijo roubado.
um minuto de tesão pra cada olhar descarado.
e já se foram 12 minutos de vida
vivida e não inventada.
cada dia: 1.440 minutos.
todos seus para criá-los.

18.5.07

mute

às vezes é preciso falar apenas esvaziar a mente cheia de dúvidas e mistérios.
é preciso falar em código para que o óbvio não transpareça aos cínicos.
é preciso falar para aceitar o que é negado - em vão.
falar para que a força do verbo recrie o mundo.
falo menos do que calo, falo menos do que vejo, falo apesar.
e quando cessa a fala, o silêncio me devolve o eco.
no avesso dessas palavras é que me apego, que me pacifico.
falo. mas é o silêncio que me faz compreender.


(quem me vê assim cantando...)

24.4.07

permanência

houve um tempo
(quando? ontem?)
em que era fácil dizer:
amanhã
era fácil contar os dias
em noites de diversão,
tardes de tédio e lojas,
manhãs de aulas e pátios.
não se marcavam as horas
era sempre cedo demais
sempre lento demais
era sempre breve demais.
hoje ainda pensei nesse tempo
porque me preparo para esquecê-lo
não como quem apaga a memória
mas como quem se dá conta
de que o tempo
só passa lá fora.
aqui dentro
é sempre.

23.4.07

queria ter escrito

dentro de mim
o vazio inventa.

(marcos caiado - www.marcoscaiado.blogger.com.br)

17.4.07

doçuras

doces olhos

doces olhos vazios
a se encantarem de sombras
penumbras mal-afamadas
recantos de sonhos
olhos transparentes
a chorar saudades não vividas
amores inexistentes
cavaleiros displicentes
olhos de olhar lonjuras
mares, fogueiras, vendavais
olhos que se contemplam,
olhos de nunca mais

...................................................................................................
doces ombros

ombros frágeis
para tanta tortura
carregar a própria essência
sem disfarce ou impostura
lanhado,
açoitado,
lombo de escravo
fujão
mas ombros redondos
de carregar colares
decotes e afagos
ombros sãos
curvados, macios
róseos cabides
ombros de solidão.

15.4.07

... essa minha criança...

Someone to watch over me
(Ella Fitzgerald)

There's a somebody I'm longin' to see
I hope that he,
turns out to be
Someone who'll watch over me

I'm a little lamb
who's lost in the wood
I know I could,
always be good
To one who'll watch over me

Although he may not
be the man some
Girls think of as handsome
To my heart
he carries the key

Won't you tell him
please to put on some speed
Follow my lead,
oh, how I need
Someone to watch over me

Won't you tell him please
to put on some speed
Follow my lead,
oh, how I need
Someone to watch over me
Someone to watch over me



6.4.07

o feijão e o sonho

o meu pão de cada dia
me será cobrado em suor e suco gástrico.

e o meu sonho de cada dia,
em outra mínima desatenção.

ao final do mês terei um contracheque na mão
e um contra-senso na vida.

23.3.07

só hoje

nunca mais
navegar sem âncora
nem saltar sem rede
nem voar no escuro ao meio-dia
nunca mais
borboletas no estômago
nem suores, calafrios.
nunca mais
o medo virgem,
nem a dissonante melodia
nunca mais
mergulhar
na mais profunda melancolia
como peixe num aquário, nem mais um dia.

(pra mim, que não acredito em definitivos,
o nunca mais é uma sentença de morte,
sem dia pra ser executada.
uma possibilidade, eu sei, certeza não se tem de nada.
mas ainda assim, é como uma armadilha, preparada
de emboscada.
nunca mais é além do que me é possível suportar.
vou então pensar no hoje.
só por hoje, tudo é possível.)

21.3.07

chamem o procon

sabe o que eu descobri: que eu sou uma propaganda enganosa ambulante. as pessoas me dizem coisas e eu pergunto: zizuisamadim, donde é que elas tiram isso? você é isso... você é assim... eu te acho...você é tão... e por aí vão elas tecendo comentários, elogios, análises, julgamentos. antigamente eu me dava ao trabalho de ponderar. hoje? nem tchuns, pq o povo vê só a casca, a caspa, a raspa e acha que já te entendeu todinho. rapaz, eu que convivo comigo 24h por dia sei só um pouquinho !!! claro que quando é alguém que pensa, eu até paro pra considerar, mas o mais é só psicologismo, deduções watsonianas, inferências do além-do-aquém...
pra conhecer alguém precisa olhar. ouvir. ver de longe, por trás da cortina.
antes de dizer eu acho você... me procure. vai que vc me encontra, né?
só aí decida se me compra. ou me devolva à prateleira, por favor.
de enganos quem anda cheia sou eu.
(me proteja, meu São Procon!)

19.3.07

leve

levanto devagar meu braço esquerdo. não, não, me dizem, é preciso que seja o direito - a mão com que você escreve...
enquanto abaixo o esquerdo, gentilmente pegam meu braço direito e o colocam na horizontal. não olho, fico contemplando o dorso da mão que fica, suas veias e sulcos.
pelo canto do olho vejo o brilho da lâmina. ouço o baque, sinto o sangue quente se espalhando. não há dor. uma sensação de formigamento começa onde antes havia o braço.
ouço os refolhos de asa se abrindo.
todos me sorriem. relevam meu sorriso vago e sem foco. sabem das dificuldades de ser meio borboleta, meio gauche.
limpam tudo com eficiência e em silêncio. quando a porta se fecha atrás do último deles, sopra o vento com cheiro de flor. é quando sinto a asa tremular. ao mesmo tempo, minha mão esquerda pousa levemente no parapeito da janela.

23.1.07

meses sem escrever, sem postar, se dar sastifa.
meses sem parar pra pensar, sentindo só um vazio cheio de trabalho, cansaço, medo e confusão.
meses sem lembrar que existe essa outra, hoje tão triste, ali no canto, enquanto teclo sentimentos que ela tenta não sentir.
eu e minha sombra estamos sentadas ao meio fio, olhando as vidas possíveis que passam e que não têm onde parar. eu e minha sombra estamos esquecendo de construir pontes e portos.
tantos messes não foram, no entanto, meses sem pensar.
dentro, a casa está cheia, embora de monstros que eu não queria enxergar.
eu e minha sombra nos entreolhamos.
é preciso dar nomes a eles. e depois...
monstros com nomes já não são monstros.
monstros com nomes são velhos amigos.
e podem ir embora.
por isso esse post hoje não tem nome, nem título, nem nada.
porque é preciso que, nesse momento, nos fique alguma palavra.
mais tarde lhe darei sentido.
e ela vai voar porta a fora.
quem sabe, seguirei com ela...

8.11.06

eu sou você

eu sou você.
ontem, hoje e amanhã.
sou seuprimo, sua mãe, sua tia.
sou família,
mas dou pra mais de seis.
sou a dona fulaninha que fica
na janela a tarde inteira
e o seu beltranóide que só vai pra cama com o jô.
ando de ônibus e de ferrari,
já dei duas voltas ao mundo, uma de metrô.
frequento o clube da esquina,
leio livros da bienal,
ouço a fm da
vez
e também a voz do brasil.
como pequi e peru,
cabutiá e trufas.
curto ópera e vivo latindo pro funk.
sou um caldinho de raças (não é
erro, não,
é caldo cultural)
amo ouvir caetano dizer "eu sou neguinha"
e transo homem, mulher e correlatos.
tenho culpa católica,
fanatismo
de crente,
acredito em vidas passadas
e no futuro que a cigana leu.
teço do avesso,
costuro no trânsito,
pinto e bordo nos finais de
semana.
sou todo mundo,
bloco na rua,
sou pierrô borrado
em
terça de carnaval.
tenho samba no pé,
coração de ouro,
barriga de
tanquinho
a cabeça nas nuvens.
mas sou perna de pau,
logo aqui, onde quem faz
um gol é rei.
quase uma gisele,
tenho problema de pele,
o nariz do giane,
torço pra marília,
namoro o ricardão.
sou a hidra de lerna, tenho mil olhos, sete cabeças e
se arrancar uma,
nascem outras cem.
aqui sou brasileiro,
me chama de estrangeiro,
mas minha terra é aqui, lá e além.
estou em tudo,
mas só estou certo quando
ninguém me vê.
estou na tv, na revista, no jornal,
principalmente no etc e tal.
já me descobriu?
sou o marketing.
meu nome é pessoa.



(se vc achou que era poesia, desculpe. meu nome é
trabalho...)

24.10.06

do outro lado

olho dentro de mim,
a névoa permanece.
seres fugazes, vorazes, velozes
mal deixam rastros que eu possa seguir.
meu cansaço busca um recanto,
banco duro de pedra,
cercado de limo, flores medram
em suaves circunlóquios coloridos.
dentro aqui ainda é cedo.
rezo à Luz Suprema
faço votos de batalha,
ergo a espada e fecho a porta.
há de continuar a guerra,
mas declaro trégua.
meu tempo agora é de paz.

27.9.06

entre bocejos e pescadas

olha eu aqui!
faz um mês que voltei a trabalhar na mesma empresa que deixei a um ano. tudo mudou por lá. as atribuições são outras, mas a pauleira é a mesma. e de lá não dá pr postar, pq os blogs são bloqueados. e à noite, depois de chegar em casa, brincar ou brigar com a filhota (banho, escovar dentes essas coisas que crianças adoram fazer), sobra pouca inspiração pra blogar. agroa mesmo, são 22h35 e eu ainda vou lavar a cabeça pq amnhã cedo não dá tempo... ou dá? acho que vou testar...
tenho pensado em dar um tempo no blog. ao mesmo tempo é meu ponto de contato com amigos tão queridos...
hoje sou toda reticências...
deve ser pq estou quase dormindo em cima do teclado. uahhhhhh!
eu escrevo. eu volto. hããã... outro dia...
(e se eu sonhasse que estou dormindo e neste sonho acordasse rindo das flores que brotam lindas da sua boca?)

9.9.06

somos quem podemos ser

(graças a deusa)

eu era de fita,
laços e sianinhas.
eu era loura e linda,
um mimo de menina.

mentiras, falácias,
mas tão bonitinhas...

um dia eu soube
que não eram de algodão
as nuvens
nem a lua, de queijo
nem os príncipes, encantados

e romperam-se os laços,
esgarçaram-se as fitas

e pude então correr pelo céu,
pulando nuvens etéreas,
entendendo o sentido da chuva.

sonhos que pude ter
pessoa que posso ser
afinal.

14.8.06

mentiras que me contaram

. come tudo, filhinha, pra ficar lindinha!
(então tá, mãe)

. tem que estudar muito pra ser alguém na vida
(o lula, a carla peres , a luciana gimenez e os big brothers e correlatos que o digam)

. menina que não presta fica pra titia
(sorte a dela!)

. moço bom não gosta de mulher oferecida
(então tá, de novo)

. você vai ficar com a bunda da sua avó, hein!
(graças a deus essa não pegou. com todo respeito, vó)

. cuidado que vc tem tendência pra engordar
(se tivesse, do tanto que eu como, ia estar no programa do gugu, pedindo um spa pra me aceitar de grátis ou uma cirirgia no estôgamo pelamordedeus)

. em boca fechada não entra mosquito
(é, mas o sapo também não sai e a gente acaba engolindo)

. loira é burra
(quem em conhece sabe o quanto isso falso. loiras são muitíssimo inteligentes, por isso algumas se fingem de burras. e todas são modestas)

. quem tudo quer, tudo perde
(ã-rã...)

. se não for perfeito(a) não serve
(essa tá dura de acabar. preguinô, sabe como?)

. eu jamais pensaria isso de você
(pois eu não só pensei como tô fazendo)

vou parar por aqui. tem muito mais, foi só uma palhinha. se quiser contribuir, faça sua lista que eu publico. vou adorar saber as variações desse tema.



8.8.06

bem disseram

1. " diga-me o que odeias e te direi o que amas."

2. "o que vejo no outro é a minha própria imagem refletida"

(pra variar esqueci de anotar quem falou. se vc sabe, me conte)

3.8.06

cavalos-marinhos e outras bobagens

eu queria saber escrever levezinho, que nem a ella (alguém sabe como fazer isso virar link?). ela escreve coisas tão sérias de um jeito assim... casual. até quando não é casual, quando trata de massacres emocionais, ainda é leve, porque tem o peso da alma.
ou então escrever tão autenticamente como a atena, que eu leio ouvindo.
ou até mesmo como o que eu mesma escrevo, mas não quando chego àsteclas. quando ainda está na minha cabeça...
mas meu escrever é também um espelho. enquanto eu não souber viver o que sinto, como vou saber escrever, não é?

...................................................

hoje elvei uma lavada da minha... professora? facilitadora? amiga? do pathwork. ela me colocou frente à frente com a minha absurda infantilidade. eu saí de lá com tanta vergonha e raiva, aos prantos. ainda estou com aquela sensação de que fiz coisa errada, tão típica de mim. ela não fez nada de mais. só não alisou, como eu esperava-queria-precisava. ela foi cruel, sim, pra minha criança. mas foi o que devia ser pro meu adulto. e é tudo que eu preciso ser agora. brigada, linda. duvido que vc me leia, mas ainda assim.

.................................................

Vento no Litoral
Legião Urbana

De tarde quero descansar, chegar até a praia
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora.

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção.
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo.

Quando vejo o mar
Existe algo que diz:-
A vida continua e se entregar é uma bobagem.

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim.
Quero ser feliz ao menos.

Lembra que o plano era ficarmos bem?
- Ei, olha só o que achei: cavalos-marinhos.

Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora.

1.8.06

será que tem mais desse?

De Leo Jaime, no Programa Saia Justa:
"Mulher sem celulite não dá pra conversar".
Eu amo esse cara. E ele ainda canta bem.

24.7.06

alice pollyana e o gênio da lâmpada

olha que coisa estranha é o ser humano. quando eu saí do meu penúltimo emprego (do último "me saíram"), eu pensei em trabalhar em casa, fazendo freelas. aó o dinheiro acabou e eu fui procurar outro trabalhao. mas durou apenas seis meses. e de lá pra cá venho vivendo com freelas, o que não é muito fácil, mas vai-se levando. quer dizer, eu consegui o que queria: estar em casa, pra ficar mais com minha filha, cuidar das minhas coisas e, ao mesmo tempo, trabalhar. só que eu fiquei sempre tão preocupada com a instabilidade, com não ter uma data certa pra receber etc, etc, etc, que nem me dei conta de que, enfim, realizei um desejo. veja, bem, caro leitor, você mesmo pode estar finalmente vivendo o grande sonho da sua vida. e ele está passando batido porque você nem está olhando. está preocupado proque tudo mudou, porque as coisas são diferentes do que vc imaginou, blá-blá-blá.
alerta vermelho, queridos. a gente fica com a janela fechada, calculando perdas e danos, revirando nossos baús de casos velhos *. o gênio da lâmpada realiza nossos desejos e a gente nem tchuns.
me devolve meu lugar comum: a vida é bela. difícil. e bela. como tudo que vale a pena.
* meus agradecimentos a indiara, que cunhou esta riquíssima expressão idiomática.

16.7.06

escolhas


acabei de escrever sobre escolhas num comment para atena. e, naturalmente, acabei pensando nas minhas. quantas certas, quantas erradas. quantas verdadeiras e quantas por ilusão. não importa o tipo, a forma, nem a cor. as consequências de cada uma são todas minhas. (embora, é claro, respinguem na vida dos que me são próximos. ou inundem...)
meu lado alice pollyana sempre me diz que mesmo na pior escolha, nas mais dolorosas consequências, sempre existem lições. o melhor no pior. de tudo saímos maiores, mais fortes. meu lado rick-humphrey bogart concorda em parte. às vezes se aprende. às vezes, apenas sofre-se barbaramente, e vai-se tocando a vida, que outro jeito não há.

8.7.06

delírios


imagine que você está deitado, descansando. aí um som começa a entrar pelo seu ouvido esquerdo. segundos depois, outro som, distinto do primeiro, alcança seu ouvido direito. e outros sons vão vindo. ao mesmo tempo, há uma sensação em seus braços, outra em suas pernas. seu coração se alegra, se entristece e se angustia. seu cérebro dá voltas, diferentes sabores se fazem sentir em sua língua, cheiros diversos atraem seu nariz.
é assim que me sinto agora, nesse momento, nesses dias. se o universo conspira a meu favor; se deus me envia seus recados por mensageiros inesperados; se os anjos falam comigo em sua linguagem simbólica; se demônios me tentam sorrateiramente, tudo isso está acontecendo ao mesmo tempo. sou pouca para tantas informações. sou pequena para tantos conhecimentos. e sou ínfima para tanto merecimento. deus, o universo, os anjos e os demônios querem que eu cresça, amadureça, mude, melhore, me torne eu mesma em alto grau. ou querem outra coisa, mas que assim entendo. é tudo muito bom, muito intenso, e muito dolorido.
acho que estou recebendo uma massagem cósmica. ou enlouquecendo.

3.7.06

sol, cama e feijão

não há trégua, só luta.
não há repouso, só reparação.
a praia, o clube, o fim de semana,
tudo ilusão.
fazer amor devagarzinho, enquanto as crianças estão no vizinho.
ou correndo mais que o despertador – que amor!
o dourado do sol
esverdeando na tela do computador
numa luz branca de torturador
até que o cansaço dê o sinal – o dia acabou.
o banho que às vezes confunde : é o da noite ou da manhã?
a pasta na escova, com gosto de ontem e também de amanhã.
a semana passada
pela empregada,
desajeitando a gola, quebrando na manga,
queimando zíper, costura e botão.
e o rola, rala, rela do ônibus
a bola, o bolo, o belo do sábado,
e o tempo espremido
nos intervalos da novela,
no sonho da passarela,
na taça verde-amarela,
até que um dia desses
vai-se bater ponto no céu.

27.6.06

grata

direi o óbvio: ter amigos não tem preço. tenho poucos, muito poucos. e mais porque eles persistem, insistem em gostar de uma amiga tão ausente. (meus queridos, vocês são ótimos, mas eu sou uma amiga abaixo do sofrível...). eu sinceramente gosto dessas pessoas. apenas não consigo dizer a elas ou ser menos egoísta a ponto de lhes mostrar o quanto são valiosas pra mim.
e não sei porque não consigo. eu sei que já fui uma amiga decente em algum lugar do passado. mas aos poucos fui esquecendo como é que se troca sentimentos. fui desaprendendo esse escambo emocional. meus amigos fizeram outros amigos. eu não. apenas aprendi a conviver mais comigo que com o Outro. nas vezes em que fiz análise, quando o terapeuta perguntava qual a razão de estar ali, sempre respondi: dificuldades de relacionamento. uma amiga, certa vez, definiu bem meu problema. disse que eu sofria do efeito kolynos. cada vez que ela tentava se aproximar, baixava um escudo de proteção invisível... touché!
falo desses amigos porque recebei de todos os que leram o post anterior uma oferta de ajuda, de apoio. e aqui, detrás do meu escudo, envio a cada um um beijo carinhoso. um dia, conseguirei me desfazer dele. estarei aberta às doçuras e amargores da vida sem armaduras. espero que eles continuem tendo a infinita paciência de me esperar. e mesmo que não o façam (o que duvido), meu amor tem efeito duracell.
este não é um post de mea culpa, nem de auto-piedade. é apenas um auto-retrato.

23.6.06

Ela Christé Ké Panagiá!

alguns momentos são mais complicados que outros. esse agora tá... no limite. estou tentando segurar a onda, o maremoto. os estragos ainda são poucos e contronáveis. mas se continuar assim, não sei. o único sentimento de que tenho certeza é o de que a lição é dura, mas precisa ser aprendida. mas vamos levando, que o que importa é que a gente tem saúde. e a vida não tá fácil pra ninguém. e na vida tudo é passageiro. menos o motorista e o cobrador.

19.6.06

a justa medida

Senhor,
me ajude a ficar livre do mais ou menos.
Que eu cante ou chore,
mas que não permaneça no limbo da mediocridade.
Que eu seja gelo ou fogo,
mas que não entenda as pessoas pela metade.
Que eu seja muito feia ou menos bonita (ou o inverso, que é melhor)
mas que eu não faça do espelho minha única identidade.
Que eu dê moeda ou abraço,
mas que eu não me contente com compaixão sem atitude.
Que eu seja tudo - bom ou ruim - muito ou pouco,
mas não me permita uma vida acomodada, inerte,
indiferente, mesquinha, pequena.
Me transforme antes em flor de jardim.
Dessas que têm perfume
ou que são belas
ou que são ervas
ou que estão mortas.

17.6.06

marineuza

pego balde e vassoura. panos velhos, detergente. abro a porta e entro. os olhos se acostumam pouco a pouco à escuridão. tudo é decadência, tristeza, abandono. penso em recuar, a tarefa é por demais grandiosa. já não há mais volta. em passos lentos, mas decididos vou até a janel e puxo o velho brocado, que se desmancha em minhas mãos. a luz entra e revela os estragos. mas, afinal é dia. olho em volta. hora de começar.

16.6.06

invasores de corpos XLIII

fui invadida por um alien. pode ler de novo: a-li-en. ele está, aos poucos substituindo meus cabelos. por isso eles caem tanto, tanto, e eu nunca fico careca. porque tem um alien tomando o lugar deles, fio a fio. isso começou há uns 5 anos. bem sutil, no começo. uma leve mudança na textura. uma nova maneira de se posicionar. eu corri e cortei bem curto. achei que ia dar uma força, sabe como? e deu mesmo. o alien assumiu de vez. hoje, o que eu antes achava que eram meus cabelos tem vida própria. humores. é, sim. tem dia que está simplememente insuportável. noutros dias, irreconhecível. e há também alguns dias bons, em que eu quase acho que tudo voltou ao normal.
mas o pior eu ainda não contei. o alien está se espalhando. e começa a invadir a minha pele. vai substituí-la aos poucos por algo que vai parecer comigo, mas não serei mais eu.
se vc me encontrar e não me reconhecer, tudo bem. serei então totalmente o alien. e eu suspeito que no planeta deles não tem botox.

13.6.06

ménage-à-trois

olhe bem pra nós dois
o que virá depois,
quando o silêncio
vier de vez?

seremos os três
amantes outra vez
e nenhuma manhã será de adeus.

mas eu não quero essa coisa sem voz
eu não quero me separar de nós

vamos mandar o silêncio fazer ruído noutro lugar
vamos nos encarar
como estranhos num espelho
turistas no estrangeiro
como se estivéssemos aqui no mesmo lugar

só você e eu,
sem o silêncio pra escutar
nada de ménage-à-trois
nada de mágoas pra guardar

tudo se pode falar
uma vez.

11.6.06

artrópode

eu estava com medo. gélido, paralisante. um medo que só quem já teve síndrome do pânico, depressão, sofreu assalto à mão armada ou ouviu a sentença de um médico sobre um ente querido num corredor de hospital.
um medo de morte.
não, eu nunca mais conseguiria. não, era irreversível. não, não tinha jeito, nem choro, nem reza brava. não, eu não era mais eu. não, eu é que era mesmo assim. não, não, não, não.
mas a garra do medo não é mais dura que a do orgulho. e o medo que me puxa pra baixo nada pode contra a do orgulho que me leva pra cima. vou me ralando, me esfolando, me batendo. mas a boca do lobo já não é tão funda.
a rita bem que disse: livre-se das suas máscaras! mas seja gratas a elas. foram elas que a trouxeram até aqui.
certamente , um dia desses, já não serão mais necessárias e delas me despedirei com certo alívio, e - espero - com leveza.
hoje são um exoesqueleto: me defendem e me mantêm de pé.
e, by the way, estou sim, me sentindo um inseto. mas dos bonitinhos. e que avua...

6.6.06

mar da serenidade

é preciso não ter sonhos.
olhar horizontes é hábito crepuscular.
objetivos retos e estreitos.
únicos e particulares.
perpendiculares.

é preciso olhar à frente.
teso como um soldado raso,
lépido como o sargento.
indiferente como o cavalo.
rápido.

é preciso soltar a vida.
que ela corra como um rio,
célere.
que ela suba como a pipa,
etérea
que ela seja como é,
minha.
e válida.

meu anjo, guarda minhas ilusões em algodão, para que ao acordar eu as tenha de novo intactas e macias em minhas mãos. minhas ilusões são frágeis. mas preciso delas, ainda um tanto. amén.

28.5.06

em círculos

espero
com meu coração cultivando dúvidas,
colhendo a impaciência
que é fruto de toda espera.

espero
com a esperança dos que não crêem
- e ainda assim esperam.

espero como se todo futuro fosse amanhã,
toda solução fosse matemática,
como se espera a volta de um soldado.

a espera me ensina
as lições do desespero:
guardo os cigarros, as revistas mal-folheadas,
as mãos que não sossegam.

(de dentro da gaveta
o relógio me sussura as longas preces da agonia)

espero.

25.5.06

mantra

tudo é uma questão de manter
a mente quieta
a espinha ereta
e o coração tranquilo.

21.5.06

ela

ela está em todos os jornais
e nos livros de auto-ajuda.
ela está atrás da porta,
minha inimiga muda.

corvo que me contempla
com olhares de rapina
sereia que me seduz
e, por não ter voz, me fascina

três vezes te renego,
a cada madrugada.
até que o cantar do galo
te faça virar em nada.

um punhado de palavras.

o jardim era uma selva. aas plantas, deixadas à própria sorte, tinham crescido contentes em todas as direções. por trás de sua irreverência, a casa se erguia altaneira. uma dama escondida pelas plumas de um vestido exuberante.
o tempo vinha desenhando uma nova fachada . aqui e ali, pequenas rachaduras e uma sombra verdolenga lhe davam um ar de memória.
passar pelo jardim, subir as escadas largas até a porta alta e estreita era quase uma aventura.
mas supreendentemente a porta se abriu sem um rangido. correu suave nas dobradiças, num mudo convite: entra e devoro-te.
o som do riso atravessou o vestíbulo, chegando até a sala. quando a porta se fechou novamente, o calor da rua se foi. ali dentro era fresco como numa caverna. as janelas, mal-fechadas por persianas quebradas, pareciam olhos modorrentos a se entreabrir.
esta casa. e toda uma história.
o caminho para o sótão estava desimpedido. lá dentro, os baús. e nos baús, papéis. e fotos. e cartas. e tudo. era por ali que devia começar. e também - finalmente - terminar.

19.5.06

a criança dorme.

"Serei sempre, sob o grande pálio azul do céu mudo, pajem num rito incompreendido, vestido de vida para cumpri-lo, e executando, sem saber porquê, gestos e passos, posições e maneiras, até que a festa acabe, ou o meu papel nela, e eu possa ir comer coisas de gala nas grande barracas que estão, dizem, lá em baixo ao fundo do jardim."
(fernando pessoa, livro do desassossego, 166)
assim eu achava que seria minha vida. assim eu a rejeitava. quis não mais ser "em verso ou prosa, empregado de carteira" . quis ser mais que gato ou herói. ou antes: quis ser diferente. ainda quero. quero uma vida de verdade, em que eu saiba se é dia ou noite, se tenho fome ou sono. em que não confunda a dor da angústia com a de um infarto. em que eu saiba a diferença entre corpo e sentimentos, e possa sentir um e aceitar o outro. em que não ande sempre no piloto automático. uma vida em que o domingo seja meu e não uma disputa entre faustão e gugu. em que não esqueça o que é inesquecível.
não quero nada que outros tantos não queiram.
quero um querer comum, um sorvo de ar, uma gota de chuva, um riso.
quero ser o que não ouso ainda porque me desconheço. mas que tenho sido, ocultamente, através dos tempos.
estou em gestação. no escuro do meu próprio desassossego, nem imagino o que seja a luz. flutuo no líquido morno e nutritivo de tantas interrogações. e espero, mãe e feto, parteira e dor, tesoura e amanhã.
"Se as coisas são inatingíveis... ora! / Não é motivo para não querê-las... / Que tristes os caminhos se não fora / A mágica presença das estrelas!"
(mario quintana - espelho mágico)

18.5.06

com mil demônios

tenho ficado muito tempo em casa. tenho tido muito tempo. e não sei bem o que fazer com ele. claro que me ocupo. numa casa sempre tem mil e uma coisas pra fazer, e ainda aparecem uns freelas... mas ainda assim é muito tempo livre. pra pensar. sabe o ditado cabeça vazia, oficina do demo (ou coisa assim)? pura verdade. o demônios - no conceito grego - resolvem todos falar comigo ao mesmo tempo. e eu descobri que tenho um pra cada personalidade. (meu nome é legião...) há tempos venho tentando me imbuir do conceito budista do não-desejo. do desapego. da certeza da impermanência. mas fomos todos criados para exatamente o contrário. meus demônios me exercitam, me colocam à prova. alguns desejam o novo, o inesperado. outros desejam manter a qualquer custo uma vida que não existe mais. e há os que temem. e os que se enraivecem. e os que choram e sentem dor. mas como existem deuses, há também os que afagam e acarinham. e me guiam gentilmente - às vezes me empurram - para fora do pântano.
tenho lido muito. ler é meu refúgio. e meus demônios lêem comigo e comigo interpretam e questionam e aprendem. e se divertem também, pelo menos alguns. sabe de uma coisa? meus daemons são gente boa. talvez, não fossem eles, meus dias seriam apenas de silêncio e paz. algum tipo de morte. meus demônios me mostram que estou viva.

13.5.06

quase nada a dizer.

eu quero muito acreditar.
mas quando olho nos seus olhos
e não me vejo lá,
desisto.

10.5.06

recado de anjo

você sabe o que é um recado de anjo? é quando há algo que você precisa muito ouvir, saber, se tocar de, e aí seu anjo-da-guarda, na impossibilidade de falar por voz própria manda um recado. pode vir numa frase de um livro. numa fala de novela. num título de comercial. na voz da ana maria braga... (anjos têm um senso de humor muito sutil...).
semana passada, eu recebi um. a porta-voz foi a mãe de uma coleguinha da minha filha. uma pessoa com quem eu gosto muito de conversar, antenada, inteligente.
falávamos sobre depressão, sobre desmotivação e suicídio. e aí ela citou alguém (desculpem, não lembro). uma psicologa famosa, uma escritora... enfim...esta pessoa falava que os jovens e crianças de hoje têm mesmo que ser desmotivados. nós pais, só nos queixamos: do trabalho que é ruim; do salário que os impostos come; da violência; ; das mentiras e falsidades; das falcatruas; de todos os "não pode" que dizemos às crianças baseados nos perigos do "mundo louco" em que vivemos.
aí me diga: como é que estas crianças vão crescer apreciando a vida? pra que vão trabalhar, se o patrão é medíocre, se a empresa explora?
pra que se esforçar, se o ladrão, os impostos, a inflação levam tudo?
crescem sem lembrar que a vida tem tudo isso, e tem também um monte de coisas boas, bonitas, valiosas.
não podemos esconder a realidade dos jovens, das crianças. mas podemos mostrar que ela não tem apenas uma face. e que viver é bom e vale a pena.

não satisfeito, meu anjo mandou outro recado pra completar esse. essa música aí embaixo, cantada pelo elvis-the-pelvis (outra prova de que o bom e o ruim podem conviver bem)

I Believe

I believe for every drop of rain that falls a flower grows
I believe that somewhere in the darkest night a candle glows
I believe for everyone who goes astray someone will come to show the way
I believe, I believe
I believe above the storm the smallest prayer will still be heard

I believe that someone in the great somewhere hears every word
Every time I hear a newborn baby cry or touch a leaf or see the sky
Then I know why I believe


meu anjo tem certa tendência a polyana.
eu também.

5.5.06

as horas de solidão

o que fazer dessas horas com que a solidão me presenteia?
como brincar com todo esse silêncio?
há estrelas lá fora, há vento e grilos e tudo.
com tudo isso se poderia fazer um poema.
e no entanto eu faço perguntas.
os relógios não marcam horas
marcam o espaço, o percurso
entre o pensamento, a mão e a tecla.
nesse interlúdio
escorrego por entre as máscaras.
sou eu, aqui, sob a luz.
dou as mãos ao silêncio, me visto de solidão
e saio a brincar de roda
por entre estrelas e memórias.

3.5.06

no risco.

nenhum sentimento é mais detonador do que o medo. é o blockbuster das emoções. faz a gente perder todas as perspectivas, ver tudo torto e flutuante. o medo incapacita até para o amor.
o medo faz odiar.
o medo faz matar.
o medo faz silenciar.
o medo faz estragos tão grandes que muita gente morre. de medo.
e o que se contrapõe a ele? a esperança? a fé? acho que só o auto-conhecimento. as certezas íntimas de que sobreviveremos. e o humor. o bom humor, o riso, desarmam o medo. impedem que ele nos torture.
falei da fé. ela também é importante. mas não a que reza e pede, mas a que confia e aguarda. (aguardar não é cruzar os braços, viu? é continuar remando, certos de que vamos chegar a algum lugar útil).
o medo é do ego. ele não quer perder, não quer abrir mão, não quer sair mal na foto.
vem de tudo que a gente não se permite ser e viver. o medo vem do hábito. a gente quer tudo igual, estável, certinho. viver no risco? nem pensar.
mas tem outro jeito de viver que não seja no risco?
enquanto escrevo, contemplo esse medo que me faz suar e tremer. que deixa as mãos molhadas e a boca seca. que me faz fechar os olhos. que me impede de dormir.
argumento comigo:
o medo me faz mono. sou estéreo.
o medo me faz 1.0. mas já estive off-road o suficiente pra saber que tenho turbo e tração nas 4 rodas.
por mais que ele seja grande, não é dois. e eu sou várias.
e, ainda assim, tenho medo.
por que escolhi diferente. porque há o feijão e há o sonho. porque meu ego é forte e a carne é fraca. porque ainda não sei se estou caindo ou voando.

2.5.06

fala, filhota!

o rancho xxx é muito bom. lá tem piquenique, casinha, tirolesa e a gente pode soltar pipa e tem piscina que a gente não pode
nadar.

(emprestei o espaço só um pouquinho pra minha filhota escrever. coruja, eeeeuuuu?)

graças, são narciso!

certeza: postar vicia.
fico aqui pensando na próxima coisa, no próximo assunto, na próxima poesia, nos próximos comentários.
fico elaborando temas, fazendo frases, nas horas mais inconvenientes.
e se o trem sai do ar, é um deus-nos-acuda interno. pensamentos em polvorosa, dedos formigando (e o post? e o post?).
mas é tão bom, tão bom, tão bom...
escrever é tão bom quanto ler. e num espaço que é meu, meu, só meu, infantilmente todo meu...
ave, narciso! esta que adora o próprio blog vos saúda!

1.5.06

pipoca, silêncio e poesia.

e depois tem gente que não gosta de ler.
“ o amor que acende a lua”, de rubem alves, ed. papirus, é uma coisa.
são textos , vários, abordando diferentes temas. todos, claro, trazendo a unidade da mensagem. pra quem gosta de escrever é uma aula. frases curtas, de uma simplicidade desconcertante. pra quem gosta de ler é um achado. nestas mesmas frases, conceitos tão ricos e tão... nossos – de todo mundo. poesia em prosa.
acabo de ler dois desses textos (detesto as classificações: crônicas, artigos.... pra mim tudo é texto, desculpem-me.) um fala de pipoca. outro de escutatória, como inventou o rubem. tomo a licença de colocar aqui um trecho do texto com título “a pipoca”:
“Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.”

No texto “escutatória”, ele fala da importância do ouvir. e da importância do silêncio. desse nem dá pra reproduzir um trecho só. esse texto me tocou profundamente. vai tão ao encontro do que penso e da minha necessidade atual de silêncio... chorei ali mesmo, na mesa da cozinha (eu tenho mania de ler enquanto como). chorei de beleza. de não conseguir conter tanta poesia, tanta verdade. chorei porque depois de ler, tive um instante mágico: vi a incrível beleza que me cerca. o vaso de plantas no passa-prato. as garrafas vazias e transparentes enfeitando minha cozinha. os momentos de silêncio operoso em que arrumei minha cama e a de minha filha, em que lavei os pratos. e tive tanta gratidão...
ainda estou sob o efeito dessa magia. nesse momento, tudo me comove. porque tudo é belo demais. e o meu cálice transborda...

(esse texto é de ontem. mas minha internet tava fora do ar...)

28.4.06

meu calhambeque, bip-bip

postar às 9h da manhã é mesmo um luxo. mas não tem a poesia da noite, claro.
li esses dias um texto da martha medeiros sobre uma mulher que procura um lugar para chorar, dentro de seu carro e não encontra onde possa estacionar. aí chora com o carro andando mesmo. dizer que o texto está bem escrito é redundância. a martha (desculpe a intimidade) é hoje minha escritora favorita. ela fala do cotidiano, nos põe pra pensar a vida em curso. nos retrata, nus e fáceis como crianças.
isso de chorar no carro é um hábito antigo meu, principalmente depois que me casei. e mais ainda depois que tive minha filha. saio pelas ruas pouco movimentadas, andando a vinte por hora, deixando vazar aquelas mágoas pequenas ou grandes que ficam pingando por dentro e terminam por sufocar. aí libero o dilúvio e a sensação de alívio é avassaladoramente boa. é uma euforia pós-parto. pra mim, que tenho tanta dificuldade de demonstrar o que sinto, são momentos preciosos. dentro do carro choro alto e soluçado, dolorida e piegasmente. tenho uma amiga que também usa este veículo (trocadalhinho...).
por isso quando passar por um carro onde uma mulher se acaba de chorar, faça cara de parede e finja que o quadro faz parte da paisagem. e, na verdade, faz. dessa paisagem onde mulheres que choram não recebem promoção (é emocionalemnte instável), geram culpa na família (olha o que você fez com a sua mãe!) ou passam por frágeis (tadinha dela, não agüenta pressão...).
se você nunca chorou no carro, experimente. e experimente também ler martha medeiros. assim até dá pra ser feliz.

25.4.06

deixai vir a mim as criancinhas. mas não agora.

em frente à mesa onde escrevo agora, pregado na parede, tem um desenho da minha filha - um que ela fez pra mim. o desenho mostra nós duas de costas para quem olha o desenho e de frente para um parque de diversões. ela aponta para uma roda-gigante e eu para uma montanha-russa. eu não levei minha filha a este parque. eu também não a levei a pelo menos 5 filmes que ela quis ver nos últimos meses. nem brinco com ela tantas vezes quantas ela pede.
fico pensando que máscaras ela construirá para se defender dos meus nãos. de que material serão feitas, para que ela enfrente os outros nãos que enfrentará pela vida. que resistência oferecerão às muitas frustrações. e quanta infelicidade também encobrirão.
um dia ela vai descobrir que muitos dos seus sorrisos, que grande parte da sua postura, que essa ou aquela indiferença não são realmente suas. são máscaras, defesas. mentiras inúteis. sei que as coisas não deviam ser assim, mas também sei que isso é usual. todos tentamos nos defender da dor desde muito cedo. alguns de dores profundas, causadas por pancadas pesadas. alguns de dores banais. mas não sei se para a criança existe diferença entre elas. chora menos a criança que não foi ao parque do que a que apanha de um pai? no mundinho delas, as dores se diferenciam? claro que não falo da dor causada pela loucura de muitos adultos, de suas paranóias e demônios, mas dessas cotidianas e comezinhas. qual é o tamanho da tragédia infantil?
tenho trabalhado - ou tentado trabalhar - com minha criança interior. ela tem uma dor tão grande que eu ainda não ousei encarar. no entanto, não tenho lembrança alguma de um fato especialemtne trágico ou doloroso na minha infância. talvez tenha tomado alguma sombra por fantasma, não sei.
e assim oscilo entre a criança que tenho dentro de mim e a que crio. ambas precisam do meu equilíbrio, da minha maturidade. e tudo que eu tenho feito é dizer não. a ambas.
de novo: culpa, culpa, mea maxima culpa.

24.4.06

pouca pompa e muita circunstância

hoje fiz 12 anos de casada. tanta coisa.

pelo ouvido

fiquei sem internet outra vez. tá parecendo piada, já. uma empresa, não sei se a br telecom, teve que fazer um reparo numa central telefônica aqui perto e ligou outra linha telefônica ao meu telefone. e com a minha linha, sei lá o que aconteceu. fiquei o feriado todo sem internet e sem telefone. pode? sai, ignorância, desse país que não te pertence!!!!
enfim...
estou lendo um livro que recomendo a quem interessar possa: a fórmula da felicidade, de stefen klein, ed. sextante. não é auto-ajuda, não. é coisa séria. fala sobre como nosso cérebro aprende as coisas. e que é possível aprender a ter uma postura mais tranquila na vida. assim, ó: se vc dá muita moral pra dor, seu cérebro aprende cada vez mais a sentir dor. se vc trabalha no sentido de dar mais valor às coisas boas e prazerosas, seu cérebro vai perceber mais as coisas boas e prazerosas. (eta resuminho bão!). é por aí... vale a pena.


quando ele não me ouviu

ele me vestiu com as palavras que eu não disse.
pesadas, negras, repressoras como um burca
elas me cobriram da cabeça aos pés.
não havia ar, não havia pele.
apenas as palavras não ditas cobrindo tudo de decepção.
não chorei.
apenas recolhi-me ao serralho,
junto com as outras mulheres
a quem a estupidez condenou ao silêncio.
não desisti.
o tempo contornou meu olhos como o kajal.
e até mesmo o tecido grosso da ignorância
se desfaz ao vento.
e ao tempo marcado no meu olhar.

19.4.06

o que eu sou

eu não estou sozinha.
tenho a mim mesma
eu não estou infeliz.
tenho minhas lembranças de felicidade
eu não estou derrotada.
os obstáculos à frente apenas escondem a vitória
eu não estou abandonada.
tenho um Pai que olha por mim
eu não preciso ter medo.
o pior que pode acontecer é ter que começar de novo
eu não tenho que fazer o que dizem.
por pior que possam parecer, minhas escolhas têm a marca da minha história
eu não tenho que me justificar.
assim como todos, busco meu jeito de ser feliz
eu não dependo de escoras.
minhas pernas me suportam e as nuvens me sustentam
eu não digo nada disso pra me convencer.
apenas para reconhecer o que sou sob tantas e diferentes máscaras, exigências e cobranças.
eu sou o que eu sou.
para o bem e para o mal.




(este assunto não acaba aqui. é o começo. mudar é difícil. ainda mais quando se vai contra uma maré forte de preconceitos - que também são meus. viver diferente, fazer diferente é assustador. estou tentando e as primeiras ondas estão me acertando em cheio. tento não cair. certamente cairei aqui e ali. preciso ter pernas fortes. e um coração firme. by the way, atena, você ainda tem aquela oração?)

17.4.06

e não é que eu voltei?

gente-amigos-pessoal-pessoas, tô tão feliz de voltar!!!!! mais que pinto em lixeira.
mudei de casa, de emprego - aliás de status: de empregada para desempregada. até bolo ando fazendo. escrevi pouco nessa longa temporada. e senti muito. voltei a fazer sabonetes e e espremi alguns versos. a época é de contenção. acho que ostras e gatos não gostam de mudar de casa...
mas estou feliz, a casa já tem nosso cheiro (principalmente o dos cachorros que com esta chuvarada não param secos. meu são pet-shop, olhai por nós. e não cobrai tão caro...)
a internet instalada, banda larga, adsl e tudo mais.
meu blog na rua.
meus amigos on line.
tudo certo.
voltei.

6.3.06

bonitinha e ordinária

já que toda a minha vida
agora está em caixas
decidi guardar também
numa caixa
meus pensamentos.
ficou mais pesada que as caixas de livros,
que a dos computadores,
que a dos pirex santa marina.
a solução foi simples:
pintei de mais loiros os meus cabelos.
agora, minha caixa é um balão...

(saudade de vocês, amigos. de todos. até dos que não fiz)

23.2.06

em processo

ainda não mudei. ainda não estou empregada. mas tanta coisa já mudou...
não é linda a capacidade de adaptação do ser humano? é possível viver entre caixas, pedaços de vida embalados em jornal, fechados com fita colante, prontos para serem levados a um novo destino. esta devia ser a forma de vida cotidiana de todos nós: sempre prontos para mudanças. no entanto, ficamos presos à comodidade. acumulamos coisas tão desejadas quanto desnecessárias , espalhamos tudo por um território demarcado como só nosso. e quando a roda da fortuna gira, sofremos por não conseguir acompanhá-la com a rapidez necessária. ou porque não queremos - não conseguimos - mudar.
mas temos um Pai sábio, que não pergunta. nos apresenta o fato e a gente que se vire. é por isso que eu e Ele nos damos tão bem.
difícil, gratificante; amedrontador e estimulante; trabalhoso mas consciente. assim tem sido esse tempo, para mim. e por amis que eu tente, não consigo dar forma de palavras às emoções por que estou passando. não é apenas mudar de casa ou de trabalho. é uma mudança muito maior, da qual essas duas são apenas símbolos.
aguardo e enquanto isso me exercito.
eu tenho uma poesia antiga que começa assim:
"quando há de chegar
aquele que há de vir
quando há de chegar aquilo
que há de ser
quando serei levada
ou quando irei caminhar
e quanto..."
é isso.